sábado, 17 de março de 2007

UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE O SURGIMENTO DO YOGA

HISTÓRIA DO YOGA

Cerca de 2.500 AC, no vale do rio Hindu, onde hoje é a o atual Paquistão, desenvolveu-se uma civilização muito avançada, os dravídicos ou dravidianos, povo totalmente pacífico, de pele e olhos escuros.
Viviam em duas cidades principais, Mohenjo Daro e Harapa, altamente desenvolvidas, com planejamento urbanístico, escrita, organização política e social e arte cerâmica.
Modernas pesquisas encontraram nestes locais as primeiras manifestações de culto à Shakti, a Mãe Divina, a base do tantrismo.Foram encontradas também imagens em postura de yoga e em atitude de meditação.
Contam os historiadores ocidentais que esta civilização teria sido destruída por uma invasão aryana.
Recentes descobertas arqueológicas e lingüísticas, no entanto, estão descartando esta teoria de uma possível invasão de certo povo ariano vindo da Europa com provas significativas da impossibilidade de ter havido esta invasão.
A descoberta do rio Sarasvati, por exemplo, é uma destas provas.Este grande rio é louvado muitas vezes no Rig Veda, o que significa que o primeiro Veda já existia antes das acomodações geológicas que causaram a grande seca do rio Sarasvati, por volta de 3000 AC.
Esta seca motivou o deslocamento dos habitantes das margens do rio Sarasvati para se estabelecerem às margens dos rios Indus e Sutlej (seu afluente).
Provavelmente a civilização Indus ou Harapa foi continuação da época védica.
Está sendo comprovado também que o desaparecimento de Mohenjo Daro e Harapa deveu-se a fenômenos geológicos.

VEDAS
A base do conhecimento hindu é a Shruti.

Shruti é uma palavra sânscrita que vem da raiz shru, que significa escutar.
Shruti é aquilo que é escutado, é a tradição oral.
A literatura Shruti é constituída pelos Vedas.
Originado da raiz sânscrita vid, conhecer, saber, Veda é o Conhecimento completo revelado. Segundo a tradição hindu, esse Conhecimento foi revelado no início da Criação aos primeiros mestres, pelo próprio Criador na forma do primeiro mestre, Dakshinamurti, e transmitido oralmente de mestre a discípulo.
Os Vedas são, portanto, apaurusheya, ou seja, não foram criados por ser humano.

São constituídos por: Rig Veda, Yajur Veda, Sama Veda e Atharva Veda.

Rig Veda é o mais antigo, composto de hinos, rituais e oferendas às divindades.
Yajur Veda contém as fórmulas para fazer os rituais do Rig Veda, dividindo-se em Krishna (negro) e Shukla (branco).
Sama Veda contém melodias e cânticos.
Atharva Veda é composto de fórmulas para rituais em geral.
Cada um dos Vedas é dividido em Samhitá, Brahmana, Aranyaka e Upanishad.
Samhitá são coleções de mantras.
Brahmana são explicações das palavras e dos textos.
Aranyaka são textos para os renunciantes.
Upanishad são textos que tratam do Absoluto, Brahman, constituindo a parte final dos Vedas.
Para melhor compreensão dos textos védicos, surgiram manuais auxiliares, os vedangas e os upavedas.
Os vedangas, ou membros dos vedas, são compostos por: Vyakarana (Gramática), Nirukta (Etimologia), Shiksha (Fonética), Chandas (Métrica), Kalpa (regras para aplicação dos rituais) e Jyotisha (Astronomia).
Os upavedas, ou suplemento dos vedas, são compostos por: Ayurveda (Ciência da Vida, a Medicina), Dhanurveda (Ciência do manejo do arco), Gandharvaveda (Ciência da música) e Sthapatya (Arquitetura).

SMRTI
Mais tarde surgiu a literatura Smrti (da raiz smr, lembrar), aquilo que é lembrado.
Seu objetivo é preservar o ensinamento védico.
É composto de : Shastras, Puranas, Itihasas, Agamas e Darshanas.
Shastras são textos sobre leis, política, ética, vida em sociedade, etc.
Puranas contém todo o material sobre mitologia hindu.
Itihasas são os dois grandes épicos, o Ramayana e o Mahabharata.
Agamas são textos que comentam um aspecto do Criador.
Darshanas são pontos de vida da Realidade, são os sistemas filosóficos, Nyaya, Vaisheshika, Sankhya, Yoga, Karma-Mimansa e Vedanta.

sexta-feira, 16 de março de 2007

HATHA YOGA PRADIPIKA

HATHA YOGA PRADIPIKA
Taraka Advaita Vedanta

Capítulo I
I:1.Eu saúdo o Primeiro Senhor, Shiva, que ensinou o conhecimento do Hatha Yoga, à sua esposa Párvatí. Este conhecimento, como uma escada, conduz ao elevado Rája Yoga.


I:2.O yogi Svátmáráma, depois de saudar solenemente a deidade e seu guru, estabelece desde o início que o ensinamento do Hatha Yoga é somente um meio para a realização do Rája Yoga.

I:3.Para aqueles que vagueiam na escuridão das diferentes doutrinas conflitantes, incapazes de seguir o Rája Yoga, o compassivo Svátmáráma oferece a luz do Hathavidyá.

I:4.Svátmáráma aprendeu o Hathavidyá dos mestres Goraksha e Matsyendra.

I:5:9.Shiva, Matsyendra, Shábara, Anandabhairava, Chaurangi, Mina, Goraksha, Virupaksa, Bileshaya, Manthána, Bhairava, Siddhi, Buddha, Kanthadi, Korantaka, Suránanda, Siddhipáda, Charpati, Káneri, Pújyapáda, Nityanatha, Nirañjana, Kapáli, Vindunatha, Kakachandísvara, Alláma, Prabhudeva, Ghodácholi, Tintini, Bhánukin, Náradeva, Khanda, Kápálika e muitos outros mahasiddhas, havendo conquistado o tempo por meio do Hatha Yoga, existem ainda no universo.

I:10.O Hatha Yoga é um refúgio para aqueles que sofrem os três tipos de dor. Para todos aqueles que se dedicam ao Yoga, o Hatha Yoga é a tartaruga que sustenta o mundo (a base que sustenta suas práticas).[Segundo a visão hindu, esses três tipos de dor ou aflição são ádhyátmika, ádhidaivika e ádhibhautika. O ádhyátmika pode ser de dois tipos: dor física ou dor mental; ádhidaivika são os sofrimentos provocados por influencias planetárias; ádhibhautika são as aflições produzidas pelos fenômenos naturais: chuva, seca, terremotos, etc.]

I:11.O yogi que almejar o sucesso deve manter o Hatha Yoga em rigoroso secreto, pois somente assim ele será efetivo. Quando divulgado indiscriminadamente, perde todo seu poder.
Lugar para a prática.

I:12.Deve-se praticar Hatha Yoga em uma pequena e solitária ermida (matha), livre de pedras, água e fogo (excessiva exposição aos elementos naturais), em uma região onde impere a justiça, a paz e a prosperidade.

I:13.O math deve ter uma pequena porta e carecer de janelas. O piso deve estar nivelado; nem demasiado alto nem demasiado baixo, e deve conservar-se muito limpo, coberto de esterco de vaca misturado com água (um germicida natural) e livre de insetos. O exterior deve ser agradável, com uma entrada, uma plataforma elevada e um poço de água. O conjunto deve estar rodeado por um muro. Estas são as características da ermida descritas pelos siddhas que praticaram Hatha Yoga.

I:14.Em tal lugar o yogi, livre de toda preocupação, se dedicará unicamente à prática do Yoga seguindo as instruções de seu guru. Requisitos para a prática.

I:15.O yogi fracassa por excesso de comida, esgotamento físico, embuste, ascetismo exagerado, companhia inadequada e inquietude.

I:16.O sucesso no Yoga depende de esforço, determinação destemida, audácia, conhecimento discriminativo, perseverança, fé (nos ensinamentos do mestre) e afastamento de toda companhia (supérflua).

Atitudes prévias.
Os dez yamas são: ahimsá, satya, asteya, brahmacharya, paciência, temperança, compaixão, honestidade, moderação na dieta e shauchan, purificação.
Os dez niyamas são: tapas, santosha, espírito, caridade, Íshvarapranidhána, svádhyáya, simplicidade, inteligência, japa e yatna.

Posturas.
I:17.Em primeiro lugar, se expõem os ásanas, pois eles constituem o primeiro passo do Hatha Yoga. Os ásanas se praticam para conquistar postura firme, saúde e flexibilidade.

I:18.A continuação se descrevem alguns dos ásanas adotados por sábios como Vasistha e por yogis como Matsyendra.

Posturas gerais. Svastikásana, postura auspiciosa.

I:19.Svastikásana: sentar-se no solo com o corpo erguido e as pernas dobradas colocando a planta de cada pé entre a panturrilha e a coxa (da perna contrária).
Gomukhásana, postura da cabeça de vaca.

I:20.Gomukhásana: o pé direito se coloca do lado do glúteo esquerdo e o pé esquerdo junto ao direito. Esta postura se parece à face de uma vaca.[Manuais modernos acrescentam que devem unir-se as mãos atrás das costas, com um braço elevado acima da cabeça e o outro recolhido por baixo.]
Virásana, postura do herói.

I:21.Vírásana: um pé se coloca por cima da coxa oposta e o outro fica encaixado embaixo da coxa do mesmo lado.
Kúrmásana, postura da tartaruga.

I:22.Kúrmásana: sentar-se de forma equilibrada com as plantas dos pés cruzadas sob o períneo.
Kukkutásana, postura do galo.

I:23.Kukkutásana: em padmásana, se introduzem as mãos entre as coxas e as panturrilhas; apóiam-se firmemente não solo e se levanta o corpo.
Uttána kúrmásana, postura da tartaruga elevada.

I:24.Uttána kúrmásana: adotando kukkutásana (sem fazer a elevação do corpo), segura-se firmemente a nuca com os dedos das mãos entrelaçados e se permanece assim, como uma tartaruga elevada.
Dhanurásana, postura do arco.

I:25.Dhanurásana: segurando os dedos maiores dos pés com ambas as mãos, manter uma perna esticada enquanto se aproxima a outra da orelha, como se se estivesse tensionando um arco.
Matsyendrásana, postura do yogi Matsyendra.

I:26.Matsyendrásana: coloca-se o pé direito na parte superior da coxa esquerda e o pé esquerdo junto à parte exterior o joelho direito; segura-se o tornozelo esquerdo com a mão direita e o pé direito com a mão esquerda (passando o braço esquerdo por trás das costas); permanece-se com o corpo torcido ao máximo para a esquerda (depois, repete-se tudo, torcendo para o outro lado).[Existe outra variação desta postura com o dorso do pé direito apoiado no chão ao invés da virilha, o que torna a execução bem mais fácil.]

I:27. Esta postura incrementa o apetite estimulando o fogo gástrico (pitta); é um remedio contra as doenças mais mortais. Com a prática regular se desperta kundaliní e se evita a dispersão do néctar que se derrama desde a lua (o soma chakra, no intercílio).
Paschimottanásana, postura de alongamento intenso.

I:28. Paschimottánásana: permanecer com as pernas estendidas no solo, segurando os dedos dos pés com as mãos e apoiando a cabeça sobre os joelhos.

I:29.Este excelente ásana faz que a força vital (prána) flua através de sushumná, estimula o fogo gástrico (pitta), flexibiliza as costas e elimina todas as doenças que afetam às pessoas.
Mayúrásana, postura do pavão.

I:30.Mayúrásana: colocam-se as mãos firmemente no solo e eleva-se o corpo no ar, apoiando o ventre sobre os cotovelos; o corpo fica reto como um bastão.

I:31.Este ásana cura diversas doenças como o inchaço do abdômen e moléstias digestivas (gulma e udara) e outras enfermidades abdominais; elimina as disfunções provocadas pelo desequilíbrio entre vata, pitta e kapha; facilita as digestões pesadas e ajuda a digerir incluso o mais poderoso dos venenos (kalakuta).
Shavásana, postura do cadáver.

I:32.Shavásana: permanece-se estendido no solo com o rosto voltado para cima, como um morto (shava); este ásana elimina o cansaço ocasionado por outros ásanas e proporciona descanso à mente.
Posturas de meditação.

I:33. Shiva ensinou oitenta e quatro ásanas; descrevem-se agora as quatro mais importantes: siddhásana, padmásana, simhásana e bhadrásana.
Siddhásana, postura perfeita.

I:34. A mais confortável das quatro, siddhásana, deve praticar-se sempre.

I:35. Siddhásana: aperta-se com firmeza o calcanhar esquerdo contra o períneo e coloca-se o direito por cima do sexo (na altura do púbis); mantém-se o queixo pressionando a base da garganta e permanece-se sentado em posição erguida, com os sentidos controlados e o olhar fixo no ponto entre as sobrancelhas. Siddhásana permite atravessar a porta que conduz à perfeição.

I:36.Siddhásana faz-se também colocando o calcanhar esquerdo por cima do pênis (medhra) ou da vulva (yoni), e o calcanhar direito por cima deste.

I:37.Alguns chamam esta variação siddhásana; outros a conhecem como vajrásana, muktásana ou guptásana.

I:38.Igual que entre os yamas e niyamas, as práticas mais importantes são a moderação na dieta e ahimsá, os siddhas sabem que o mais importante dos ásanas é o siddhásana.

I:39.Entre os 84 ásanas, se deve praticar sempre siddhásana, pois purifica as 72.000 nádís.

I:40. O yogi que, praticando siddhásana durante doze anos, medita sobre sua autêntica essência (átman) e come com moderação, alcança o sucesso (siddhi) no Yoga.

I:41.Se se domina o siddhásana e se consegue conter o prána dentro do corpo com a prática de kevala kúmbhaka, não será necessário praticar os demais ásanas.

I:42.Quando se tiver conquistado a perfeição no siddhásana, pode-se desfrutar o êxtase proporcionado pelo estado meditativo chamado unmani avasthá que surge espontaneamente; os três bandhas aparecem de forma natural, sem esforço algum.

I:43.Não existe ásana como siddhásana, nem kúmbhaka como kevala, nem mudrá como khecharí, nem absorção (láyá) como a que acontece no som primordial (náda).
Padmásana, postura do lótus.

I:44.Padmásana: coloca-se o pé direito sobre a coxa esquerda e o pé esquerdo sobre a coxa direita; cruzam-se os braços pelas costas e seguram-se os dedos maiores de ambos os pés, o do direito com a mão direita e o do esquerdo com a mão esquerda; pressiona-se o queixo contra o peito e fixa-se o olhar na ponta do nariz. O padmásana cura as doenças do yogi.

I:45:46.Colocam-se os pés sobre as coxas opostas e as mãos no colo com as palmas para cima, uma por cima da outra; fixa-se o olhar na ponta do nariz e toca-se com a língua a raiz dos incisivos superiores, pressionando o queixo contra a base da garganta para assim elevar apána com suavidade mediante a contração do ânus (múla bandha).

I:47.Esta é (outra variação de) padmásana, destruidora de todas as doenças (unicamente) em pessoas de grande percepção.

I:48.Adota-se padmásana, com uma mão sobre a outra (no colo, fazendo bhairava mudrá, com as mãos em forma de concha) e o queixo firmemente pressionado contra o peito, medita-se sobre Brahmá, contraindo retiradamente os músculos do ânus para impulsionar a forca vital apána em direção ao coração. Analogamente, leva-se a força vital prána váyu para baixo (contraindo a garganta pelo jalándhara bandha). Desta forma desperta-se a força kundaliní e se alcança o conhecimento supremo.

I:49. O yogi, sentado em padmásana, inalando através das entradas das nádís [as narinas] e alimentando-as com prána, alcança a liberação; não há dúvida sobre isto.
Simhásana, postura do leão.

I:50.Simhásana: colocar os calcanhares (com os pés cruzados) sob o sexo, com o direito tocando o lado esquerdo do períneo e o esquerdo tocando o lado direito.

I:51.Colocar as palmas das mãos com os dedos entendidos sobre os joelhos; com a boca aberta, concentrar o olhar na ponta do nariz.

I:52.O simhásana é muito apreciado pelos melhores yogis. Este excelente ásana facilita os três bandhas (múla, jalándhara e uddiyana bandha).
Bhadrásana, postura virtuosa.

I:53.Bhadrásana: colocar os tornozelos sob o sexo a ambos lados do períneo, o direito à direita e o esquerdo à esquerda (com as plantas dos pés unidas).

I:54.Manter os pés firmemente unidos com as mãos e permanecer imóvel. Bhadrásana cura todas as doenças.

I:55.Este ásana é chamado gorakshásana pelos yogis avançados (siddhas). O cansaço desaparece ao assumi-la.
Conclusão.

I:56.Depois dos ásanas e bandhas, continua a seqüência na prática do Hatha Yoga com as distintas variações de kúmbhaka, os mudrás e a concentração no som interior (náda).
Dieta moderada.

I:57.Com toda certeza, o brahmachari que observe uma dieta moderada e pratique o Hatha Yoga renunciando aos frutos de suas ações, converter-se-á em um siddha no prazo de um ano.

I:58.Seguir uma dieta moderada quer dizer alimentar-se com comida agradável e doce deixando sempre livre uma quarta parte do estômago e dedicando o ato de comer a Shiva.
Dieta a evitar.

I:59.Não se consideram adequados para o yogi os alimentos amargos, agros, picantes, salgados ou muito quentes; os vegetais verdes (diferentes dos recomendados), os legumes fermentados, o azeite de sementes, o gergelim, a mostarda, as bebidas alcoólicas, o peixe, a carne, o requeijão, o soro, a manteiga, os grãos de tipo chhaasa, os feijões em forma de rim, as frituras, a asafétida e o alho.

I:60.Também devem evitar-se a comida requentada, os alimentos secos, demasiado salgados ou ácidos e os alimentos com muita mistura de vegetais (difíceis de digerir).
Hábitos.

I:61. Ao principio, devem evitar-se o fogo, as relações sexuais e as viagens. Goraksha ensina que "no início, o yogi deve evitar as companhias inadequadas, aquecer-se junto ao fogo, as relações sexuais, as viagens longas, os banhos frios de manhã cedo, o jejum e o esforço físico exagerado".
Dieta recomendada.

I:62.Os seguintes alimentos são recomendados para o yogi: trigo, arroz, centeio, cevada, produtos feitos de cereais, leite, manteiga clarificada (ghee), açúcar mascavo, mel, gengibre seco, pepinos, patolaka, os cinco legumes (jivanti, vastumulya, aksi, meghanada e punarnava), feijão de tipo mung e água pura.

I:63.O yogi deve tomar alimentos nutritivos e doces, misturados com leite e ghee, que aumentem os elementos corporais (dhatus: pele, sangue, carne, gordura, osso, medula e sêmen) e que sejam agradáveis.
Conclusões.

I:64.Qualquer pessoa que pratique ativamente Yoga, seja ela jovem, velha ou mesmo muito velha, enfermiça e débil, pode converter-se em um siddha.

I:65.Qualquer um que praticar pode conseguir a perfeição (siddhi), a menos que seja preguiçoso. Não se conquista a meta do Yoga apenas lendo livros.

I:66.Tampouco se conseguem os siddhis vestindo-se de uma forma determinada ou especulando sobre o Yoga: somente se triunfa através da prática constante. Sem dúvida, este é o secreto do sucesso na prática.

I:67.Enquanto não se tiver sucesso no Rája Yoga devem praticar-se os diferentes ásanas, kúmbhakas e mudrás do Hatha Yoga.

[Aqui conclui o primeiro capítulo do Hatha Yoga Pradípiká, que versa sobre os requisitos e atitudes para a prática, os ásanas e a dieta recomendada pelos sábios.]


HATHA YOGA PRADIPIKA

Capítulo II Necessidade do pránáyáma.

II:1. O yogi que pratica perfeitamente os ásanas, alimenta-se com moderação e controla seus sentidos, deve agora praticar pránáyáma seguindo as instruções de seu guru.

II:2. Enquanto a respiração (prána) for irregular, a mente permanecerá instável; quando a respiração se acalmar, a mente permanecerá imóvel e o yogi conseguirá a estabilidade. Por conseguinte, deve-se controlar a respiração (praticando pránáyáma).

II:3. Enquanto houver alento no corpo, haverá vida. Quando o alento parte advém a morte. Por isso, é necessário restringi-lo através da prática de pránáyáma.Nádí shodhana: a necessidade de purificar as nádís.

II:4. Enquanto permanecerem impurezas nas nádís (ídá e pingalá), o prána não poderá entrar no canal central, sushumná. Desta forma, o yogi não conseguirá o estado de unmani avasthá nem terá sucesso nas práticas.

II:5. Somente quando se tenham purificado todas as nádís que ainda estiverem impuras, o yogi poderá praticar pránáyáma com sucesso.

II:6. Portanto, deverá se praticar pránáyáma diariamente, com um estado mental em que predomine sattva, até que sushumná fique livre de impurezas.Nádí shodhana pránáyáma a respiração polarizada.

II:7. Na postura padmásana, o yogi deve inalar (púraka) através da fossa nasal esquerda (chamada ídá ou chandra) e, após reter a respiração (kúmbhaka) tanto quanto lhe seja possível, deve exalar (rechaka) pela fossa nasal direita (chamada pingalá ou súrya).

II:8. A continuação se deve inalar pela narina direita (pingalá), praticar kúmbhaka como antes, e exalar pela esquerda (ídá).

II:9. Depois do rechaka deve-se fazer (sempre) púraka pela mesma fossa nasal. O kúmbhaka deve manter-se o máximo possível (até que o corpo comece a tremer). (Depois do kúmbhaka) deve-se exalar lentamente (pois exalando rapidamente, a energia do corpo irá reduzir-se).

II:10. Ao inspirar prána através de ídá, se deve exalar através de pingalá; a continuação inspira-se (prána novo) por pingalá e se exala por ídá, sempre depois de ter retido a respiração (kúmbhaka) o máximo tempo possível. O yogi que se aperfeiçoar na prática da ética e que praticar esta respiração alternada (nádí shodhana), purificará todas suas nádís em três meses.Fases do pránáyáma.

II:11. Deve-se praticar pránáyáma quatro vezes ao dia: na primeira hora da manhã, ao meio-dia, pela tarde e à meia-noite, progredindo de forma gradativa até que se possam fazer oitenta kúmbhakas (em cada sessão).

II:12. Na primeira fase há transpiração, na segunda há tremores e na fase superior o prána chega ao lugar mais excelso (brahmárandhra, a abertura do canal axial, no topo da cabeça). O pránáyáma deve praticar-se desta forma.

II:13. Se houver transpiração, deve se aplicar uma massagem (esfregando a pele, para reabsorve-la); desta forma, o corpo se torna leve e forte.

II:14. No início da prática (de pránáyáma) o yogi deve tomar os alimentos misturados com leite e ghee. Quando a prática evoluir, estas restrições não serão mais necessárias.Prática correta.

II:15.O prána deve controlar-se gradualmente, igual que se domam os leões, os elefantes e os tigres (pouco a pouco, com paciência e energia), pois do contrario o praticante poderia morrer.

II:16. A prática correta de pránáyáma libera de todas as doenças, mas uma prática incorreta pode produzi-las.

II:17. Uma prática incorreta (de pránáyáma) pode ocasionar moléstias em olhos, nariz e ouvidos, dores de cabeça, soluço, asma e outras dolências (pulmonares)

II:18. Para obter a perfeição na prática (siddhi) deve-se inalar e exalar lentamente, procedendo também de forma gradual com o kúmbhaka.Efeitos.

II:19. Quando as nádís estão purificadas, o corpo emagrece e brilha de forma natural.

II:20. Então, o yogi é capaz de reter a respiração à vontade, se ativa o fogo gástrico, o náda (som interior) se faz audível e a saúde é perfeita.O shatkarma, as purificações físicas.

II:21. O shatkarma deve constituir a primeira prática para as pessoas fleumáticas e de constituição débil. Em outro caso (com vata, pitta e kapha equilibrados), não é preciso.

II:22. As seis ações (shatkarma) são dhauti, vasti, neti, trátaka, nauli e kapálabháti.

II:23. Estas ações que purificam o corpo são secretas. Possuem múltiplos, surpreendentes resultados e são tidas em grande estima pelos yogis.Dhauti, a purificação do trato digestivo.

II:24. Dhauti: engole-se lentamente uma tira de pano umedecida, de quatro polegadas de largura e quinze palmos comprimento e se retira em seguida, seguindo as instruções do guru.

II:25. O Dhauti é efetivo contra a asma, as doenças bronquiais, problemas no fígado, a lepra e muitas outras doenças que surgem por causa do desequilíbrio da fleuma (kapha). Não há dúvida sobre isto.Vasti, a lavagem intestinal.

II:26. Vasti: em utkatásana (sentado de cócoras, com os pés juntos e as nádegas sobre os calcanhares) e submergido em água até o umbigo, se introduz no reto um tubo fino de bambu e se contrai o esfíncter anal (e o abdômen, para puxar a água, faze-la circular dentro do ventre e, finalmente, expeli-la).

II:27. A prática de vasti é eficaz contra o inchaço dos órgãos internos e o fígado, doenças estomacais e todas as enfermidades advindas do excesso ou do desequilíbrio de vata, pitta e kapha.

II: 28. A prática correta de vasti, purifica os constituintes corpóreos (dhatus), os órgãos dos sentidos (indriyas) e a mente (antahkarana); deixa o corpo brilhante e aumenta o poder digestivo, eliminando todos os desequilíbrios fisiológicos.Neti, a purificação dos seios nasais.

II:29. Neti: introduz-se um fino cordão, de um palmo de comprimento, por uma das fossas nasais e se puxa pela boca.

II:30. Purifica o crânio e melhora a acuidade da visão, eliminando rapidamente todas as moléstias que possam surgir acima da linha dos ombros.Trátaka, a purificação dos olhos.

II:31. Trátaka: olha-se fixamente, sem pestanejar, um objeto pequeno, até surgirem lágrimas nos olhos. Os mestres chamam esta prática de trátaka.

II:32. Elimina a preguiça e todas as doenças oculares; deve manter-se cuidadosamente em secreto, como uma caixa de jóias.Nauli, a purificação do abdômen.

II:33. Nauli: inclinar os ombros para frente apoiando com firmeza as palmas das mãos no solo; fazer girar o ventre para a esquerda e para a direita, como um redemoinho em um rio. Os siddhas chamam esta técnica de nauli.

II:34 NauliEsta excelente prática de Hatha Yoga elimina a inêrcia do fogo gástrico, estimula a digestão, deixa uma sensação agradável e elimina todos os males e desajustes dos humores.Purificação dos pulmões e dos seios cranianos.

II:35. Kapálabháti consiste em fazer rechaka e púraka rapidamente, como o fole de um ferreiro. Esta técnica denomina-se kapálabháti e elimina todos os males atribuídos à fleuma (kapha dosha).

II:36. Estas seis práticas eliminam a obesidade, os transtornos da fleuma e as impurezas; fazendo pránáyáma a continuação, se alcança o sucesso sem esforço.Purificação de todas as nádís.

II:37. Alguns mestres opinam que as nádís podem ser purificadas somente através da prática de pránáyáma, e que o shatkarma é desnecessário.

II:38. Gajakaraní: com ajuda de múla bandha, se faz subir o apána para a garganta e regurgitar o que houver no estômago; com a prática gradual desta técnica do Hatha Yoga se podem controlar todas as nádís.Conclusões.

II:39. Todos os deuses, incluído Brahmá, têm se dedicado à prática do pránáyáma, livrando-se assim do medo da morte; portanto, é conveniente praticar o controle respiratório.

II:40. Enquanto o prána estiver controlado, a mente calma e estável e o olhar fixo entre as sobrancelhas, não deve temer-se à morte.

II:41. Uma vez purificadas as nádís com a prática regular de pránáyáma, o prána atravessa a entrada da sushumná nádí e penetra nela facilmente.

II:42. Quando o prána flui através da sushumná nádí, a mente se estabiliza; esta fixação da mente se chama unmani avasthá (ou manomani avasthá).

II:43. A fim de conseguir tal estado, os yogis expertos praticam diferentes kúmbhakas, obtendo assim maravilhosos resultados (siddhis).As oito técnicas de respiração.

II:44. Há oito kúmbhakas: súryabhedana, ujjayí, sítkarí, sítalí, bhastriká, bhrámarí, múrcchá e pláviní.Os bandhas, as contrações que se fazem durante o pránáyáma.

II:45. Ao final de púraka deve-se praticar jalándhara bandha; e ao final de kúmbhaka e principio de rechaka deve-se fazer uddiyana bandha.

II:46.Praticando jalándhara bandha, múla bandha e uddiyana bandha ao mesmo tempo (durante a expiração), o prána flui por sushumná.

II:47. Impulsionando o apána para cima (com múla bandha) e fazendo descer o prána desde a garganta (com jalándhara bandha), o yogi se libera da velhice e torna-se um jovem de dezesseis anos.Súryabhedana, a respiração solar.

II:48. Súryabhedana: o yogi deve sentar-se em um ásana adequado, em um assento confortável, e inalar lentamente pela a fossa nasal direita (pingalá).

II:49. A continuação deve praticar kúmbhaka até que senta o prána penetrar em todo seu corpo, desde a ponta dos cabelos até as unhas dos dedos dos pés; então deve exalar lentamente através da fossa nasal esquerda (ídá).

II:50. Este excelente súryabhedana deve praticar-se uma e outra vez, pois despeja o cérebro (lóbulo frontal e seios), combate as parasitas intestinais e cura os males causados por excesso de vata.Ujjayí, a respiração que outorga a vitória.

II:51. Ujjayí: com a boca cerrada, inalar lentamente por ambas as fossas nasais, de tal forma que o ar produza um ruído (surdo) ao passar pela garganta para os pulmões.

II:52. Praticar kúmbhaka como antes e exalar pela narina esquerda (ídá); com esta técnica eliminam-se os problemas de fleuma na garganta e se incrementa a capacidade digestiva do corpo.

II:53. Também cura a hidropisia e os desequilíbrios nas nádís e nos dhatus; este kúmbhaka se pode praticar de pé, tanto imóvel como caminhando.Shítkarí, a respiração refrescante.

II:54.Shítkarí: inalar pela boca produzindo um som sibilante, ao manter a língua entre os dentes, e exalar a continuação pelo nariz; a prática continuada desta técnica torna o yogi belo como o deus do amor, Kámadeva.

II:55. Então, se torna muito atrativo para as yoginís, controla suas ações, não sente fome, nem sede e não se vê afetado pela sonolência o a preguiça.

II:56. Com esta prática consegue força física e se torna em mestre de Yoga, livre de todas as misérias terrenas.Shítalí, a respiração refrescante.

II:57. Shítalí: inalar através da língua em forma de tubo, como o pico de um pássaro, projetada um pouco por fora dos lábios; a continuação, exalar lentamente através do nariz.

II:58. Este kúmbhaka cura as doenças do abdômen e do baço, entre outras; também evita a febre, a tendência a sofrer transtornos biliares, a fome, a sede e os efeitos dos venenos.Bhastriká, a respiração do fole.

II:59. Bhastriká: adotando padmásana, ao colocar os pés sobre as coxas (contrários), se eliminam os efeitos nocivos de todas as doenças.

II:60:61. Após haver adotado corretamente tal postura, com as costas e a nuca alinhadas, cerrar a boca e exalar com energia pelo nariz de tal forma que se sinta a pressão no coração, a garganta e a cabeça; a continuação, inalar com rapidez até que a respiração alcance o loto do coração.

II:62:63. Repete-se a expiração e a inspiração da mesma forma uma e outra vez, igual que um ferreiro manejando seu fole com força; desta maneira se consegue uma circulação constante de prána pelo corpo; quando se senta o corpo cansado exalar (lentamente) por pingalá.

II:64. Depois de encher o interior do corpo com prána, fechar ambas as fossas nasais com o polegar, o anular e o mínimo; fazer kúmbhaka como antes e exalar (lentamente) através de ídá.

II:65.Isto elimina os desequilíbrios causados pelo excesso de pitta, kapha e vata e estimula o fogo gástrico do corpo.

II:66. Este procedimento desperta a kundaliní rapidamente, purifica as nádís, é agradável e benéfico; desta maneira se elimina a mucosidade que obstrui a entrada da sushumná.

II:67. Este kúmbhaka, denominado bhastriká, deve praticar-se especialmente, pois faz com que o prána atravesse os três nós (granthis) que estão ao longo da sushumná (brahmágranthi, vishnugranthi, rudragranthi).Bhrámarí, a respiração do zumbido.

II:68. Bhrámarí: inalar rapidamente, produzindo o som do vôo de um zangão, e expirar a continuação com lentamente (depois de fazer kúmbhaka), produzindo o som do vôo de uma abelha; com a prática de este exercício, os grandes yogis experimentam uma felicidade indescritível em seus corações.Murcchá, a respiração extenuante.

II:69. Múrcchá: ao final de púraka se executa um firme jalándhara bandha e depois se espira lentamente; este kúmbhaka reduz a atividade mental de forma muito agradável.Pláviní, a respiração flutuante.

II:70. Pláviní: quando se enchem os pulmões completamente de ar, o yogi pode flutuar facilmente na água, como uma folha de loto.Tipos de retenção respiratória.

II:71. Há três tipos de pránáyáma: rechaka, púraka e kúmbhaka. O kúmbhaka é também de dos tipos: sahita (com púraka e rechaka) e kevala (sem púraka nem rechaka).Kevala kúmbhaka, a retenção absoluta.

II:72. Kevala é um kúmbhaka independente de púraka e rechaka, durante o qual se retém prána sem esforço algum; enquanto que não se domine totalmente kevala, se deve praticar sahita.

II:73. Certamente, quando se pratica kevala kúmbhaka (retendo a respiração à vontade), se obtêm o estado de Rája Yoga.

II:74. Quando se domina o kevala kúmbhaka, sem necessidade de púraka e rechaka, não existe nada no mundo (interior) que esteja fora do alcance do yogi.

II:75. Por meio de kevala kúmbhaka se desperta kundaliní e sushumná fica livre de obstáculos, alcançando-se (gradualmente) a perfeição em Hatha Yoga. Rája Yoga e Hatha Yoga.

II:76. Não se pode aperfeiçoar o Hatha Yoga sem a prática do Rája Yoga e vice-versa; portanto, deve-se praticar ambos até que se obtenha a perfeição em Rája Yoga.

II:77. Ao final da retenção do alento no kúmbhaka, deve-se afastar a mente de todos os objetos; praticando assim se alcançará o estado de Rája Yoga.Efeitos da prática.

II:78. Quando se aperfeiçoa o Hatha Yoga aparecem os seguintes sinais: agilidade física, brilho no rosto, manifestação da vibração sutil interior (náda), olhar penetrante e claro, saúde, controle do fluido seminal (bindu), aumento do fogo digestivo e total purificação das nádís.[Aqui conclui o segundo capítulo do Hatha Yoga Pradípiká, que versa sobre a purificação das nádís (nádí shodhana), a expansão da força vital (pránáyáma) e as purificações corpóreas (shatkarma).]


Capítulo III

Kundaliní, o poder serpentino.

III:1.Assim como Ánanta, a serpente infinita, sustenta a Terra com suas montanhas e florestas, da mesma forma a kundaliní é o fundamento de todas as práticas de Yoga.

III:2.Quando a kundaliní adormecida desperta por mediação do guru, todos os chakras e todos os granthis são atravessados.

III:3.(Então) a sushumná nádí torna-se o caminho real do prána, a mente fica inativa e o yogi vence a morte.

III:4.Sushumná, shúnyapadavi, brahmárandhra, mahapatha, shmashana, shambhaví, madhyamárga, se referem à mesma coisa.

III:5.Assim, se deve praticar com empenho os diversos mudrás a fim de despertar à poderosa deusa kundaliní que dorme cerrando a entrada a porta de acesso ao Absoluto (sushumná).
Mudrás, os gestos de poder.

III:6-7.Os dez mudrás são: mahamudrá, mahabandha, mahavedha, khecharí, uddiyana bandha, múla bandha, jalándhara bandha, viparíta karaní, vajrolí mudrá e shaktí chalana. Eles destroem a velhice e eliminam a morte.

III:8.Shiva ensinou estes gestos, que proporcionam os oito siddhis; os siddhas se esforçam em sua prática, mas eles são difíceis de se dominar, mesmo para os deuses.

III:9.Devem manter-se cuidadosamente em secreto, como uma caixa de jóias; e não devem mencionar-se a ninguém, como a relação adúltera com uma mulher de boa família.
Mahamudrá, o grande gesto.

III:10.Para fazer mahamudrá deve-se pressionar o calcanhar esquerdo no períneo e, mantendo esticada a perna direita, segurar os dedos do pé direito com as mãos.

III:11.Depois, se contrai a garganta (em jalándhara bandha) e se conduz o prána para cima (por sushumná); Desta forma kundaliní se move para cima, como uma serpente cutucada por uma vara.

III:12.Então, as outras nádís ficam (geladas), sem vida (porque o prána já não as percorre).

III:13.Exalar a continuação muito lentamente, nunca depressa; os sábios denominam esta prática mahamudrá, o grande selo.

III:14.Com esta prática, se destroem os kleshas e se vence a morte; é por isso que os homens mais sábios a chamam mahamudrá, o grande selo.

III:15.Depois de praticar com o (calcanhar) esquerdo (no períneo) se deve repetir com o direito, finalizando a prática quando se houver executado igual número de vezes para cada lado.

III:16.Para quem pratica (o mahamudrá) nenhum alimento é já saudável o prejudicial, pois todas as coisas, independentemente de seu sabor, inclusive as que não têm sabor, e até o mais poderoso veneno, se digerem e se tornam néctar para ele.

III:17.Aquele que pratica mahamudrá supera problemas como emagrecimento, lepra, hemorróidas, inchaço do abdômen (gulma), moléstias digestivas e outras.

III:18.Assim foi descrito o mahamudrá, que proporciona grandes siddhis aos homens; deve manter-se cuidadosamente em secreto, sem revela-la a ninguém.

Mahabandha, a grande contração.III:19.Mahabandha: coloca-se o calcanhar esquerdo contra o períneo e o pé direito sobre a coxa esquerda.

III:20.Depois da inspiração, pressionando firmemente o queixo contra o peito (em jalándhara bandha), deve-se contrair os esfíncteres e concentrar a atenção em sushumná.

III:21.Após reter a respiração o maior tempo possível é preciso exalar lentamente; depois de ter praticado pelo lado esquerdo, deve-se fazer o mesmo mudando a posição das pernas.

III:22.Segundo outras versões, não é necessário contrair a garganta (jalándhara bandha); em seu lugar, deve pressionar-se a língua firmemente contra a raiz dos dentes superiores (jihva bandha).

III:23.Através desta prática (de mahabandha com jihva bandha), que ajuda a conseguir grandes siddhis, detém-se o fluxo ascendente do prána por todas as nádís (a exceção de sushumná).

III:24.Esta técnica permite liberar-se da grande armadilha de Yama, o deus da morte, consegue ainda a união das três correntes prânicas (ídá, pingalá e sushumná) e possibilita que a mente permaneça concentrada em Kedara (a moradia do deus Shiva).

III:25.Igual que a beleza e o encanto não servem de nada para uma mulher se ela não está junto a um homem, o mahamudrá e o mahabandha são inúteis sem o mahavedha.
Mahavedha, a grande passagem.

III:26.Mahavedha: o yogi, sentado em mahabandha, deve inalar com a mente concentrada e deter a continuação o fluxo de prána tanto para cima como para abaixo, por meio de jalándhara bandha.

III:27.Com as palmas das mãos apoiadas no solo, o yogi deve elevar seu corpo no ar para deixar-se cair suavemente sobre seus glúteos várias vezes. Assim, o prána abandona as nádís (ídá e pingalá) e penetra em sushumná.

III:28.Desta forma acontece a união da lua, o sol e o fogo (ídá, pingalá e sushumná), que conduz à imortalidade; quando o corpo adquirir aspecto de cadáver, o yogi deve exalar (lentamente).

III:29.Com a prática de mahavedha se conseguem grandes siddhis; ele faz desaparecer rugas e cabelos brancos e instabilidade do corpo (sinais de velhice) e, portanto, é praticado pelos melhores mestres.
Efeitos.

III:30.Estas são as três (práticas) que devem manter-se secretas e que protegem contra a morte e a velhice, aumentam o fogo gástrico e proporcionam poderes paranormais (siddhis), como animan e outros.

III:31.Estas três devem praticar-se oito vezes ao dia, a cada três horas; isto aumenta os efeitos benéficos das ações e elimina os negativos; quem receber a instrução adequada às praticará gradativamente.Khecharí: técnica.

III:32.Khecharí: com a língua recolhida para cima e para trás, obstrui-se o orifício de conexão do palato com as fossas nasais e se fixa o olhar no ponto entre as sobrancelhas.

III:33.A língua deve alongar-se gradualmente, cortando (o freio), agitando-a e esticando-a até que se possa tocar o intercílio. Então se consegue realizar propriamente o khecharí mudrá.

III:34.Com uma faca limpa e muito afiada, em forma de folha de cacto, se faz um corte da espessura de um cabelo na base do freio da língua.

III:35.Depois, se esfrega a região com uma mistura de sal de rocha e cúrcuma. Depois de sete dias, é preciso cortar novamente a espessura de um cabelo.

III:36.É preciso continuar fazendo o mesmo durante seis meses, com cuidado e de forma gradual. Então, o freio da língua ficará completamente cortado.

III:37.Quando o yogi dobra a língua para cima e atrás, pode fechar o ponto em que se cruzam as três nádís, denominado vyoma chakra; este é o khecharí mudrá.

Khecharí: efeitos.
III:38.O yogi que permanece apenas por meio kshana (período de vinte e quatro minutos) com a língua para cima, liberta-se de envenenamentos, doenças, velhice e morte.

III:39.Quem dominar o khecharí mudrá não se verá afetado pela doença, a morte, a decadência mental, o sono, a fome, a sede o a falta de lucidez intelectual.

III:40.Quem dominar o khecharí mudrá ficará livre das (leis do) karma e do tempo.

III:42.Uma vez obstruído o orifício da parte superior traseira do palato por meio do khecharí mudrá, o yogi pode controlar a ejaculação, até mesmo no abraço mais passional com uma mulher.

III:43.E até mesmo que aconteça a ejaculação, o bindu será forçado para cima, por meio de yonimudrá.
Somarása: o néctar celestial.

III:44.Quem domine os secretos do Yoga pode vencer a morte em quinze dias, mantendo a língua dobrada para trás, com a mente concentrada e bebendo o néctar vital (somarása).

III:45.O yogi que inunda seu corpo diariamente com o néctar que flui da "lua" (somarása) é imune ao veneno, mesmo que seja mordido pela serpente takshaka.

III:46.Da mesma forma que o fogo arde enquanto houver combustível e a lâmpada ilumina enquanto tiver óleo e pavio, a alma permanece no corpo enquanto houver néctar brotando do terceiro olho (soma chakra).

III:47.Quem comer carne de vaca (gomansa) e beber aguardente (amaravarunni) diariamente, será considerado como uma pessoa distinguida; em outro caso, desprestigiará sua família.

III:48.A palavra go alude à língua; "come-la" (gomansabhaksna) é introduzir a língua na cavidade do palato. Isto destrói as ações errôneas (pápa).

III:49.Quando a língua se volta para trás e penetra na garganta, o corpo se aquece muito e flui o somarása. Isto se chama amaravarunni.

III:50.Se o yogi pressionar a língua contra o orifício do palato, fazendo fluir o somarása, que tem sabor salgado, ácido e picante, mas que também parece leite, mel e ghee, elimina todas as doenças e a velhice, se torna invulnerável aos ataques armados, alcança a imortalidade e os oito siddhis e se torna irresistível para as mulheres siddhas.

III:51.Aquele que, com o olhar dirigido para cima e a língua fechando o orifício do palato, medita sobre Parashaktí e bebe da clara fonte do néctar, desde a cabeça até o loto de dezesseis pétalas (vishuddha chakra), por meio do controle do prána, se libera de toda enfermidade e vive muito tempo com um belo corpo, elegante como um talo de loto.

III:52.Aquele que possui uma mente pura (da natureza de sattva, não ofuscada ela ação de rájas e tamas) reconhece a verdade (da sua própria alma) no néctar segregado desde a cavidade de onde surgem as nádís, na parte superior do monte Meru (o interior da cabeça, acima do intercílio); da "lua" surge o néctar, a essência corporal e, da sua perda, a destruição física. Por conseguinte, se deve praticar o benéfico khecharí mudrá (para deter a perda); do contrário não se conseguirá obter a perfeição física (caracterizada por beleza, graça, força e autocontrole).

III:53.Tal cavidade, na abertura superior de sushumná, é o lugar de confluência dos cinco rios (as cinco principais nádís) e proporciona o conhecimento divino; no vazio da abertura, livre da influência da ignorância (avidyá), da dor e das ilusões (o yogi, através do) khecharí mudrá, alcança a perfeição.
Conclusão.

III:54.Existe somente um gérmen de evolução: o mantra Om; existe somente um mudrá: khecharí; somente um dever: chegar a ser independente de tudo, e somente um estado mental: o manomani avasthá (estabilidade da mente).

Uddiyana bandha, elevando a energia.
III:55.Uddiyana bandha: chama-se assim entre os yogis porque com sua prática o prána voa para cima por sushumná (uddiyana significa "vôo ascendente").

III:56.Graças a este bandha, o grande pássaro prána (váyu) voa incessantemente através de sushumná; a continuação se explica uddiyana bandha.

III:57.Chama-se uddiyana bandha à retração do abdômen por cima do umbigo (de tal forma que se pressione em direção às costas e ao diafragma); é o leão que vence o elefante (a morte).

III:58.Aquele que praticar com freqüência uddiyana bandha seguindo as instruções do seu guru, até que a contração se produza de forma natural e constante, rejuvenescerá, por idoso que seja.

III:59.Deve-se contrair vigorosamente o abdômen na região do umbigo para cima e para trás. No prazo de seis meses se vencerá à morte, sem sombra de dúvida.

III:60.Entre todos os bandhas, uddiyana é o melhor. Quando se consegue domina-lo, a liberação se produz espontaneamente.

Múla bandha, contraindo a base.
III:61.Múla bandha: pressionar o períneo com o calcanhar e contrair o (esfíncter do) ânus para fazer subir apána.

III:62.Por meio da contração de múládhára, a corrente de prána, que normalmente flui para abaixo, é forçada a subir (por sushumná); os yogis chamam este exercício múla bandha.

III:63.Pressionando o calcanhar contra o períneo, se faz força sobre apána, até começar o movimento ascendente.

III:64.Através de múla bandha, tanto prána e apána como náda e bindu se unem e proporcionam o sucesso no Yoga, sem sombra de dúvida.

III:65. Com a prática constante de múla bandha se alcança a união de prána e apána, se reduzem consideravelmente as secreções (de urina e excrementos) e incluso os mais velhos rejuvenescem.

III:66.Quando apána se eleva e alcança a moradia do fogo (manipura chakra), alimenta e intensifica a chama (do fogo interior).

III:67.Quando apána e o fogo se unem ao prána, quente por natureza, um clarão intensamente abrasador brota no corpo.

III:68-69 Kundaliní adormecida, aquecida por esse abrasamento, desperta. Tal como uma serpente tocada por uma vara, ela se levanta sibilando; e como se entrasse em sua toca, entra na brahmánádí (sushumná, o canal central). Portanto, o yogi deve praticar sempre múla bandha.
Jalándhara bandha, o fecho que controla as redes prânicas.

III:70.Jalándhara bandha: (consiste em) contrair a garganta e manter o queixo firmemente contraído em direção (à parte superior do) peito (porém sem toca-lo). O jalándhara bandha destrói a velhice e a morte.

III:71.Este bandha se chama jalándhara porque contrai a rede (jala) das nádís e detém o fluxo descendente do néctar, que goteja desde o soma chakra, no intercílio, através da cavidade do palato. O jalándhara bandha elimina todas as afecções da região da garganta.

III:72.Quando se contrai a garganta em jalándhara bandha, o néctar (do soma chakra) não seca no fogo gástrico (manipura chakra) e o prána não se agita (não se desvia do caminho certo).

III:73.Quando a garganta está firmemente contraída as duas nádís (ídá e pingalá) ficam "mortas" (inativas). Na garganta fica o vishuddha chakra, onde confluem as (nádís que conectam os) dezesseis centros vitais. (Esses pontos vitais, chamados ádháras são: polegares, tornozelos, joelhos, coxas, períneo, pênis ou clitóris, umbigo, coração, nuca, garganta, língua, nariz, intercílio, frente, cabeça e brahmárandhra).

Bandha traya, a contracao tríplice.

III:74.Praticando (simultaneamente) uddiyana bandha, múla bandha e jalándhara bandha, faz-se ascender o prána por sushumná.

III:75.Desta forma, o prána fica imóvel em sushumná e se vence a velhice, a doença e a morte.

III:76.Os yogis conhecem estes três bandhas que praticavam os grandes siddhas, eles são meios fundamentais para conseguir o sucesso no Hatha Yoga.

Viparíta karaní mudrá, a atitude invertida.

III:77.Viparíta karaní mudrá: todo o néctar (somarása) que produz a lua celestial (soma chakra) acaba sendo devorado pelo sol. É assim que envelhece o corpo.

III:78.Existe uma excelente prática (karana) por meio da qual se pode burlar o sol, mas somente a podemos aprender do guru e não pelo estudo teórico dos shástras.

III:79.Trata-se de viparíta karaní, que mantém o sol, no plexo solar, por cima da lua, sobre o palato; isto deve aprender-se seguindo as instruções do guru.

III:80.Aquele que pratica diariamente incrementa seu fogo gástrico. Portanto, deve ter sempre comida abundante.

III:81.Se o yogi reduzir a alimentação, o fogo consumirá rapidamente seu corpo. No primeiro dia deve permanecer por pouco tempo apoiado sobre a (parte posterior da) cabeça (e os ombros), com os pés voltados para cima.

III:82.Deve-se aumentar a duração da prática de forma gradual, dia a dia. Após seis meses de prática, desaparecem cabelos brancos e rugas. Praticando três horas ao dia, vence-se a morte.

Vajrolí mudrá, o gesto adamantino.

III:83.Vajrolí mudrá: até mesmo aqueles que levam uma vida desordenada, sem observar as disciplinas prescritas no Yoga, podem desenvolver os siddhis, poderes paranormais, dominando vajrolí mudrá.

III:84.Para esta prática se necessitam duas coisas difíceis de se obter: leite (no momento preciso) e uma mulher que se comporte do modo desejado.

III:85.Aspirando o sêmen (bindu) que se ejacula durante a relação sexual (maithuna), seja o sujeito homem ou mulher, se obtém sucesso na prática de vajrolí.

III:86.Com cuidado, soprar com força no interior do pênis com a ajuda de um tubo (inserido na uretra), a fim de permitir a passagem do ar (para o interior). (Precisa-se conseguir primeiramente um cateter fino, de quatorze dedos de comprimento, e inserí-lo na uretra, aprofundando gradativamente a inserção na largura de um dedo a cada dia, até que se introduzem doze dedos, fica de fora um comprimento de dois dedos, que se dobra para cima; a continuação insere-se um tubo mais fino por dentro do anterior e sopra-se com suavidade para limpar a passagem de impurezas; depois se continua absorvendo água através do tubo e progressivamente líquidos cada vez mais densos até, finalmente, absorver o próprio sêmen - primeiro com a sonda e depois sem ela - somente se obterá sucesso se a respiração se mantiver controlada e se dominar o khecharí mudrá.)

III:87.O bindu que está prestes a ser ejaculado na vagina de uma mulher deve absorver-se com a ajuda de vajrolí mudrá; se a ejaculação já tiver acontecido, deve-se reabsorver o próprio bindu junto com os fluidos vaginais a fim de preserva-lo. (Durante a ejaculação, a uretra sofre contrações espasmódicas, reflexas e irreprimíveis que expulsam o esperma; o vajrolí mudrá reduz o perigo da ejaculação, diminuindo a sensibilidade dos terminais nervosos da uretra, que reduzem o reflexo ejaculatório sem alterar o desejo sexual.)

III:88.Desta forma, o yogi preserva seu bindu e vence a morte. Quando se desperdiça o bindu, a morte acontece a seu devido tempo, mas quem o preserva vive uma longa vida.

III:89.Retendo o bindu com ajuda de vajrolí mudrá, o corpo do yogi emana um agradável aroma. Enquanto o bindu estiver retido no corpo, ele não teme à morte.(Vajrolí afirma os testículos e tonifica as gônadas, o que aumenta o vigor e a virilidade, enquanto a produção incrementada de hormônios masculinos rejuvenesce o organismo.)

III:90.O bindu dos homens fica sob o controle da mente, e a vida depende do bindu. Portanto, a mente e o bindu devem ser protegidos por todos os meios.

III:91.Quem dominar esta prática deve absorver por completo o sêmen junto com os fluidos vaginais da mulher com quem tem relação sexual, através do pênis.

Sahajolí mudrá, o gesto espontâneo.

III:92.Sahajolí mudrá: sahajolí e amarolí são diferentes variações de vajrolí, dependendo do resultado obtido. É preciso misturar cinzas de esterco com água.

III:93.Após a prática de vajrolí durante a relação sexual, uma vez finalizada toda atividade, o homem e a mulher sentados confortavelmente, devem esfregar as partes mais nobres de seu corpo (cabeça, frente, olhos, coração, ombros e braços) com esta mistura.

III:94.Isto se denomina sahajolí e deve ser estimado pelos yogis, pois é um processo benéfico que proporciona a liberação através da experiencia sensual.

III:95.Esta técnica somente é dominada por aquelas pessoas virtuosas e valentes, que conhecem a verdade e não são em absoluto invejosas.

Amarolí mudrá, o gesto perfeito.

III:96.Amarolí mudrá: segundo a doutrina secreta dos kapálikas, amarolí consiste em beber a própria urina (amari) uma vez fria, descartando a primeira descarga, por possuir excesso de bílis, e a porção final, por ser muito rala.

III:97.Quem bebe amari, o cheira e pratica vajrolí diariamente, recebe o nome de praticante de amarolí.

Vajrolí para a yoginí.

III:98.Misturam-se cinzas com bindu após a prática de vajrolí e se esfregam com esta mistura as partes nobres do corpo, obtendo-se assim a visão divina.

III:99.Se uma mulher praticar o suficiente como para tornar-se uma experta, se for capaz de absorver o bindu (ejaculado em seu interior) por um homem e o retiver dentro por meio de vajrolí, transformar-se-á em uma yoginí.

III:100.(Assim) sem dúvida, não se perde nem a mais mínima quantidade de fluxo vital feminino. No corpo (da yoginí) o náda transforma-se em bindu.

III:101.Se o sêmen (bindu) e o fluido feminino (rájas) permanecerem unidos no interior do corpo mediante vajrolí, consegue-se todo tipo de siddhi.

III:102.A yoginí que preserva seu rájas mediante uma contração ascendente pode conhecer o passado e o futuro, e alcançar a perfeição em khecharí.

Conclusão.

III:103.Mediante a prática do Yoga de vajrolí, obtém-se a perfeição do corpo (beleza, graça e força); este tipo de Yoga proporciona mérito (púnya) e, embora coexiste com a experiência sensual, conduz à libertação (moksha).

Kundaliní.

III:104.Kutilangí, kundaliní, bhujangí, shaktí, íshvarí, kundalí, arundhatí: todas estas palavras são sinônimas.


III:105.Assim como a porta se abre com a chave, o yogi abre a porta da libertação mediante o Hatha Yoga e o poder de kundaliní.

III:106.A grande deusa (kundaliní) dorme fechando com sua boca a passagem através da qual se pode ascender ao brahmárandhra (a passagem da energia psíquica pelo "orifício de Brahmá", no alto da cabeça), o lugar onde não existe dor nem sofrimento.

III:107.Kundaliní shaktí, que dorme sobre o bulbo (kanda, onde convergem as nádís), proporciona libertação ao yogi e escravidão ao ignorante. Aquele que conhece a kundaliní, conhece o Yoga.

III:108.Kundaliní se descreve enroscada como uma serpente; aquele que conseguir fazer com que a shaktí se movimente (de múládhára para cima) alcançará a libertação, sem sombra de dúvida.

III:109.Entre os rios sagrados Gangá e Yamuná está sentada uma jovem viúva praticando tapas; é necessário possuí-la pela força, pois isto conduz à morada suprema de Vishnu (seu esposo, no sahásrara chakra, no alto da cabeça).

III:110.O sagrado Gangá é ídá e o Yamuná é pingalá; entre ídá e pingalá está a jovem viúva kundaliní.
Shaktíchalana mudrá, sacudindo o poder serpentino.

III:111.Shaktíchalana kriyá: deve-se despertar a serpente adormecida (kundaliní) segurando firmemente seu rabo; então, shaktí abandona seu sono e se ergue com força.

III:112.Depois de inalar por pingalá, a adormecida serpente deve ser manejada mediante a técnica paridhána, a fim de move-la diariamente durante uma hora e meia, tanto ao amanhecer como ao entardecer.(A técnica paridhána é similar ao nauli, pois consiste em mover os músculos abdominais de esquerda à direita, de direita à esquerda e em espiral.)

Kanda, o centro do corpo sutil.

III:113.O centro do corpo sutil (kanda, localizado atrás do umbigo) tem uma extensão de doze dedos. Está situado por cima do ânus, a uma distância de quatro dedos e tem um aspecto delicado, de cor branca, como coberto por um pedaço de pano branco.

III:114.Sentado na postura vajrásana seguram-se os pés perto dos tornozelos e pressionam-se (os calcanhares) sobre o kanda.

III:115.Em vajrásana, depois de movimentar a kundaliní, o yogi deve praticar bhástriká kúmbhaka, a fim de despertá-la rapidamente.

III:116.Depois deve contrair o sol para obrigar a kundaliní a ascender. Embora se sinta chegar às portas da morte, o yogi não sente medo de nada.[O sol, súrya, é a região do abdômen, perto do umbigo, que se contrai por meio de uddiyana bandha.]

III:117.Quando se move kundaliní sem medo por aproximadamente uma hora e meia, ela entra no canal sushumná e ascende um pouco por ele.

III:118.Desta forma, kundaliní deixa livre a entrada de sushumná, e é puxada sem esforço para cima pela corrente de prána.

Efeitos.

III:119.Portanto, deve-se mover todos os dias esta arundhati (kundaliní), que dorme confortavelmente, pois assim o yogi ficará livre de doenças.

III:120.O yogi que move a shaktí consegue os siddhis; que mais pode dizer-se? Vence o tempo, como se se tratasse de uma simples encenação.

III:121.Somente o yogi que leva uma vida de brahmácharya, observa uma dieta moderada e saudável, e pratica Yoga estimulando corretamente a kundaliní, desenvolverá os siddhis no prazo de quarenta dias.

III:122.Uma vez posta em movimento a kundaliní, deve-se praticar especialmente o bhástriká kúmbhaka. Donde pode surgir o medo da morte em um yogi que se autocontrola e pratica sempre de acordo com as instruções corretas?

Outras técnicas.

III:123.Além da prática de shaktíchalana, que faz a kundaliní movimentar-se, que outras técnicas existem para remover as impurezas das 72.000 nádís?

III:124.O canal sushumná se alinha (para facilitar a passagem do prána) por meio da prática de ásana, pránáyáma e mudrá.

III:125.Quem permanecer atento à prática (livre da preguiça) e concentrado em samádhi, obterá grandes benefícios tanto de shambhaví mudrá como de outros mudrás.

III:126.Sem Rája Yoga não há terra; sem Rája Yoga não há noite; sem Rája Yoga são inúteis todos os mudrás.

III:127.Todas as técnicas de pránáyáma devem realizar-se com a mente concentrada; o sábio não deve permitir que sua mente vagueie (enquanto pratica os exercícios).

Conclusões.

III:128.Shiva, o Primeiro Senhor (Adinatha), descreveu desta forma o dez mudrás; cada um deles outorgará grandes siddhis a quem permanecer autocontrolado (yamin).

III:129.Aquele que transmite os ensinamentos sobre estes mudrás, recebidos por sua vez da maneira tradicional, de guru a discípulo, esse é verdadeiramente um guru, e se pode chamar mestre, Senhor (Íshvara) em forma humana.

III:130.Aquele que seguir cuidadosamente estes ensinamentos, concentrado na prática dos mudrás, será capaz de vencer a morte e conseguirá os siddhis como animam (e outros).

[Os oito siddhis clássicos são: animam, "atomização", a capacidade de reduzir à vontade o tamanho do corpo; laghimam, "levitação", a capacidade de flutuar ou voar; prápti, "atingir", a habilidade de expandir o corpo conforme a própria vontade; prákámyam, "preenchimento dos desejos", a capacidade de mergulhar na matéria sólida como se fosse líquida; mahimam, "magnificação", o poder de expansão infinita; íshitritva, "soberania", o poder de manipular a natureza; váshitvam, "mestria", controle sobre os elementos materiais; e kámávasáyitvam, "moradia do desejo", a capacidade de realizar qualquer desejo.]

[Aqui conclui o terceiro capítulo do Hatha Yoga Pradípiká, que versa sobre a força kundaliní, os mudrás, os bandhas e seus efeitos.]

HATHA YOGA PRADIPIKA

Capítulo IV Samádhi.

IV:1.Louvor a Shiva, o guru que se apresenta em forma de náda, bindu e kála. Aquele que se consagrar a ele alcançará o estado sem mácula, livre das correntes da ilusão (máyá).(Náda é o som supersutil, similar à reverberação de um sino, representado pelo semicírculo (chandra) desenhado na letra Om; bindu é o som representado no Om pelo ponto sobre o semicírculo; kála é o tempo.)

IV:2.A continuação expõe-se a excelsa técnica do samádhi que vence a morte, conduz à felicidade (eterna) e à gloriosa dissolução no Absoluto (Brahman).

IV:3-4.Rája Yoga, samádhi, unmani, manomani, amaratva, láyá, tattva, shúnyashúnya, paramapáda, amanaska, advaita, niralamba, nirañjana, jivanmukti, sahaja e turíya são sinônimos. [Yoga real, iluminação, elevação, elevação da mente, imortalidade, dissolução, verdade, plenitude no vazio, estado supremo, transcendência da mente, não dualidadade, estado de consciência sem refêrencias externas, estado de pureza absoluta, libertação neste corpo, espontaneidade e quarto estado de consciência (além dos estados de vigília, sono e sonho), são sinônimos.]

IV:5.Assim como o sal que se dissolve na água se torna uma só coisa com ela, a alma e a mente se fazem uma. Isso é o samádhi.

IV:6.Quando não há movimento de prána (durante o kúmbhaka) e a mente se dissolve na alma, tal estado de harmonia se denomina samádhi.[Este estado é o samprájñata samádhi descrito por Pátañjali.]

IV:7.Esse estado de equilíbrio que é a união da alma individual com a Alma Universal (jivátman e Páramátman), em que as construções mentais (sankalpas) cessam de existir, chama-se samádhi. [Este estado é o asamprájñata-samádhi, no qual não se distingue entre sujeito conhecedor, objeto conhecido e processo de conhecimento.]

Efeitos.

IV:8.Quem conhece realmente a grandeza do Rája Yoga? Graças aos ensinamentos transmitidos pelo guru, se alcançam o conhecimento verdadeiro, a libertação dos condicionamentos, a estabilidade suprema e os poderes paranormais (jñána, mukti, sthiti e siddhi).

IV:9.Sem a ajuda e a compaixão de um autêntico guru, é muito difícil conseguir a renúncia aos desejos (vairágya), a percepção da verdade e o autêntico estado natural de iluminação (sahajávasthá).

IV:10.Quando se desperta kundaliní mediante a prática de ásana, kúmbhaka e mudrá, o prána se dissolve no vazio (shúnya) de brahmárandhra.

IV:11.O yogi que despertou a energia e se libertou de todo karma alcança de forma natural o estado de iluminação (samádhi).

IV:12.Quando o prána flui por sushumná e a mente se dissolve no vazio (shúnya), o conhecedor do Yoga (que conseguiu suprimir o fluxo das modificações mentais) remove as raízes dos seus karmas.

Conclusão.

IV:13.Louvor a ti, ó, Amara!, conquistador até mesmo do tempo, em cujas mandíbulas sucumbe o universo com todas as coisas animadas e inanimadas.[O yogi perfeito é chamado aqui pelo epíteto Amara, que significa perfeito.]

Prána.

IV:14.Amarolí, vajrolí e sahajolí se conseguem com sucesso quando a mente é reduzida ao estado de equilíbrio perfeito e o prána flui por sushumná.

IV:15.Como pode obter-se o conhecimento se o prána ainda estiver vivo (está ativo) e a consciência não tiver morrido (não tiver suprimido seus processos mentais)? Somente aquele que conseguir permanecer na imobilidade absoluta, detendo o prána e a consciência, alcançará a libertação.

IV:16.Uma vez dominada a técnica para abrir sushumná e fazer com que o prána flua por seu interior, será preciso praticar (sem descanso) em um lugar adequado até que kundaliní se estabeleça em brahmárandhra.

Sushumná.

IV:17.O sol e a lua originam a divisão do tempo em forma de dia e noite. Sushumná (não obstante) devora o tempo. Isto é um grande secreto.

IV:18. Há 72.000 nádís no corpo; de todas elas, sushumná é a que contém a energia divina (shambhaví shaktí) que apazigua o deus Shambu (Shiva); as outras não são de grande utilidade.

IV:19.Com o prána controlado, deve-se despertar a kundaliní e acender o fogo gástrico para entrar em sushumná sem restrições.

IV:20.Quando o prána flui através de sushumná se alcança o estado de estabilidade da mente (manomani). Qualquer outro tipo de prática será um simples esforço do yogi.

Prána e mente.

IV:21.Aquele que detém o alento detém também o pensamento. Aquele que domina o pensamento domina igualmente o prána.

IV:22.As duas causas da atividade mental são a energia vital e as propensões subconscientes (prána e vásaná): a inatividade de uma de elas provoca a inatividade da outra.

IV:23.Quando a mente está absorta, prána se detém; quando prána está suspenso, a mente permanece quieta.

IV:24.A mente e o prána estão relacionados entre si como o leite e a água, sendo suas atividades coincidentes; se houver movimento de prána, haverá movimento mental; se houver atividade mental, haverá movimento de prána.

IV:25.Suspendendo a atividade de um deles (o prána e a mente), o outro igualmente irá parar; se um age, o outro também agirá. Se não permanecerem quietos, os sentidos estarão sempre ativos. Controlando-os, alcança-se moksha, a libertação suprema.

Mente e mercúrio.

IV:26.A natureza da mente consiste em estar em movimento contínuo, igual que a do mercúrio; quando ambos ficam imóveis, há algo em este mundo que não possa conseguir-se?

IV:27.Ó Párvatí! Quando o mercúrio é imobilizado, destrói as doenças. O prána tem a mesma capacidade. Quando estes morrem (tornam-se inativos), proporcionam vida; quando se controlam, a levitação é possível.

Prána, mente e sêmen.

IV:28.Quando a mente fica quieta, prána se detém e, em conseqüência, o sêmen (bindu) permanece imóvel; quando o bindu permanece estável, o corpo, por sua vez, adquire força e estabilidade.

IV:29.A mente domina os órgãos dos sentidos. O prána é senhor da mente. O estado de dissolução (láyá) controla o prána e, por sua vez, depende da vibração sutil (náda).

Liberação.

IV:30. A quietude mental em si mesma se chama moksha, embora outros possam chama-la de outras maneiras; em qualquer caso, quando mente e prána se dissolvem, sobrevém uma indescritível alegria.

Láyá.

IV:31.Quando cessam o movimento respiratório e a atração pelos objetos dos sentidos, quando não há movimento no corpo nem modificações nas mente, o yogi experiencia o Láyá Yoga.

IV:32.Quando cessa completamente toda atividade mental e física se produz o indescritível estado do Láyá Yoga, do qual somente a alma é consciente, pois está além das palavras.

IV:33.A dissolução acontece em brahmárandhra, o lugar onde se focaliza a concentração. A ignorância (avidyá), por meio da qual existem os cinco elementos, os sentidos e a energia presentes em todo ser vivo, dissolve-se no indiferenciado Brahman.

IV:34.As pessoas repetem "láyá, láyá", mas, que é realmente láyá? É o estado de isolamento dos objetos dos sentidos, que surge quando as tendências subconscientes (samskáras) deixam de atualizar-se.

Shambhaví mudrá.

IV:35.Os Vedas, os Shástras e os Puránas são como prostitutas (pois estão disponíveis para todo o mundo). O shambhaví mudrá, pelo contrário encontra-se cuidadosamente guardado, como uma mulher casta.


IV:36.Shambhaví mudrá consiste em concentrar a mente no interior (em qualquer um dos chakras) enquanto se mantém fixo o olhar sobre um objeto exterior, sem pestanejar. Os Vedas e os Shástras mantêm este mudrá em secreto.

IV:37.Shambhaví mudrá é um estado em que mente e prána se tornam uno com o objeto interno, enquanto o olhar permanece fixo, como vendo tudo, quando em verdade não vê nada. Quando, graças ao guru, se alcança esse estado, que está além do vazio e do não-vazio (shúnyashúnya), em que tudo se torna uma manifestação do grande Shambu (Shiva), então se manifesta a realidade.

IV:38.Tanto shambhaví mudrá como khecharí mudrá, embora difiram no ponto em que se fixa o olhar e no objeto de concentração, têm em comum que ambos proporcionam o estado de felicidade que advém quando se dissolve a mente no vazio (no átman), o qual é um estado de bem-aventurança em si mesmo. [Denomina-se vazio porque não está afetado por tempo, espaço ou matéria. É um estado vazio de si mesmo e também de objetos distintos de si mesmo. Os pontos de fixação do olhar nos dois mudrás são diferentes, porque em shambhaví mudrá a olhar se dirige para o exterior, e em khecharí para o intercílio. Os objetos de concentração são diferentes porque em shambhaví mudrá a atenção se fixa no anáhata chakra e em khecharí mudrá, no ájña chakra.]

IV:39.O estado unmani surge de forma natural quando o olhar se dirige para a luz que aparece durante a concentração na ponta do nariz, se levantam um pouco as sobrancelhas e se concentra a mente, como foi explicado antes (shambhaví mudrá).

IV:40.Alguns se enganam com as promessas dos Ágamas, outros, com os enigmas dos Vedas e outros ainda com a dialética. Nenhum deles conhece aquilo com cuja ajuda pode-se atravessar o oceano da existência.

IV:41.Com os olhos entreabertos, o olhar fixo na ponta do nariz, a mente calma e o fluxo de prána imobilizado em ídá e pingalá, permanecendo em um estado de quietude (corporal, sensual e mental) se alcança o estado mais elevado, em forma de luz radiante que é a fonte de todas as coisas e, em si mesmo é o Todo, a suprema realidade; que mais pode-se dizer?

Lingam.

IV:42.Não se deve adorar o lingam nem de dia nem de noite; o lingam deve adorar-se somente quando tiverem deixado de existir o dia e a noite. [O lingam simboliza o Ser, o átman. Os símbolos dia e noite fazem referência à circulação de prána pelas nádís solar (pingalá) e lunar (ídá) respectivamente. Isto significa que não se deve meditar no ser enquanto o prána estiver fluindo pelas duas nádís. Primeiramente deve cessar o movimento de prána em ídá e pingalá, para faze-lo fluir posteriormente por sushumná.]

Khecharí mudrá.

IV:43.Quando prána, que normalmente flui pelas nádís direita e esquerda (as abandona e) se move por sushumná, então pode-se praticar khecharí mudrá até alcançar a perfeição, sem dúvida alguma.

IV:44.Quando o vazio entre ídá e pingalá (sushumná), devora a corrente de prána, sem dúvida o khecharí mudrá torna-se perfeito.["Devorar o prána" quer dizer que este deve permanecer estável em sushumná.]

IV:45.Entre ídá e pingalá há um espaço vazio chamado vyoma chakra onde se aplica a língua para a prática do mudrá chamado khecharí.

IV:46.Khecharí mudrá, que recolhe o néctar procedente da lua, é a amante visível de Shiva; a entrada da incomparável e divina sushumná nádí deve bloquear-se elevando a língua em direção ao céu da boca.

IV:47.Sushumná também quedará bloqueada quando se preencher com prána. Este é o perfeito khecharí mudrá, que conduz ao unmani avasthá.

IV:48.Entre as sobrancelhas está a moradia de Shiva, o lugar onde a mente se aquieta; este estado mental (samádhi) se conhece como turíya. Nele, o tempo (a morte) não pode entrar.[O turíya é o "quarto estado" de consciência, que está além da vigília, do sono e do sonho.]

IV:49.Deve-se praticar khecharí mudrá até alcançar o estado de yoganidrá; o tempo (a morte) não existirá para quem conseguir isto.

Dissolução.

IV:50. Uma vez liberada a mente de todo objeto e conceito, já não surgem mais pensamentos. Então, a mente parece um jarro vazio, rodeado e preenchido de espaço.

IV:51.Quando cessa a respiração exterior (com a prática de khecharí), também o faz a interior (a produção de prána); então, a corrente de prána e a corrente mental param no lugar apropriado (brahmárandhra).

IV:52.O praticante que dia e noite dirige o fluxo de prána (através de sushumná), consegue dissolver a mente no lugar onde o prána se dissolve.

IV:53.Deve-se inundar o corpo de pés à cabeça com o néctar (que flui da lua, o soma chakra). Assim, o corpo irá adquirir grande força e valor. Assim o khecharí (foi descrito).

IV:54.Centrar a mente em shaktí e manter shaktí no centro da mente; observar a mente com a mente e fazer do supremo estado (samádhi) o objeto de concentração.
(É preciso manter o prána na mente e a mente em brahmárandhra. Então, contemplando a kundaliní shaktí, a mente e kundaliní tornam-se uno.)

IV:55.Colocando o si mesmo (átman) em meio de ákasha (Brahman) e ákasha em meio do si mesmo, reduzindo tudo à natureza de ákasha (além do tempo e do espaço), não se pensa em mais nada.

IV:56Assim, o yogi em estado de meditação permanece vazio no interior e vazio no exterior, como um jarro vazio no espaço. Ao mesmo tempo, sente plenitude no interior e plenitude no exterior, como um jarro imerso no oceano.

IV:57.Não deve haver processos mentais sobre coisas externas ou internas. Devem abandonar-se todos os pensamentos subjetivos e objetivos. É preciso deixar de pensar.

IV:58.A totalidade de este mundo é somente uma criação da mente; até mesmo a própria atividade mental é uma ilusão. Quando se tiver transcendido a consciência, composta de processos mentais, se encontra repouso no imutável. Então, certamente ó Ráma!, encontrarás a paz.

IV:59.Igual que a cânfora na chama e o sal na água, a mente se dissolve em contato com a alma.

Máyá.

IV:60.Todo o que se apresenta ante a mente não é mais que aquilo que se pode conhecer, pois a mente é o conhecimento mesmo; quando o processo de conhecimento e o objeto de concentração se absorvem reciprocamente, desaparece toda dualidade.

IV:61.Tudo em este mundo, tanto os seres animados como os objetos inanimados, são uma criação da mente; quando a mente alcança o estado transcendente, deixa de experimentar-se a dualidade.

Conclusões.

IV:62. Quando se abandonam todos os objetos de conhecimento, a mente se absorve (no satchitánanda: ser, consciência e bem-aventurança) e somente o estado de libertação (kaivalya) permanece.

IV:63. Os diferentes caminhos que conduzem ao samádhi, que utilizam diferentes técnicas, foram descritos pelos grandes mestres da Antigüidade, que basearam os ensinamentos em sua própria experiência.

IV:64.Louvor a sushumná, a kundaliní, ao néctar que flui da lua, ao manomani avasthá e à grande shaktí, sob a forma da Consciência Pura.

Náda.

IV:65. Agora se descreve a prática de náda (anáhata), tal como a ensinou Gorakshanatha, válida incluso para os menos ilustrados, incapazes de compreender a realidade.

IV:66.O Primevo Senhor Shiva mostrou inúmeros caminhos que conduzem ao láyá, mas ao que parece, o melhor de todos é a prática do Náda Yoga.

IV:67.O yogi, sentado em muktásana e adotando shambhaví mudrá, deve escutar atentamente o som interior que se ouve no ouvido direito.

IV:68.Cerrando os ouvidos, o nariz, a boca e os olhos, então se ouvirá claramente um som no purificado sushumná.[Os ouvidos devem fechar-se com os polegares, os olhos com os indicadores, o nariz com os dedos meios e anulares e a boca colocando os mínimos nas comissuras dos lábios. Esta técnica também recebe o nome de yoni mudrá.]

Etapas.

IV:69.Toda prática de Yoga abrange quatro etapas: arambhavasthá, ghatávasthá, Parichayávasthá e nishpatti avasthá.

Arambhavasthá, o estado inicial.

IV:70.Arambhavasthá: quando o "nó de Brahmá" (brahmágranthi, situado no múládhára chakra) é atravessado (com a prática de pránáyáma), se experiencia uma espécie de beatitude no shúnya (ou ákasha, elemento espaço, no chakra do coração). Ouvem-se sons cintilantes, como de guizos, (no centro) do corpo.

IV:71.Em quanto se faz audível o som no vazio (interior), o corpo do yogi se torna resplandecente e brilhante; emana uma deliciosa fragrância, se afasta da doença e seu coração se enche (de prána e felicidade).

Ghatávasthá.

IV:72.Ghatávasthá: na segunda etapa, prána se une com apána, náda e bindu e entra no chakra do meio (na garganta). Neste estágio os ásanas se aperfeiçoam e surge a sabedoria divina.

IV:73.Quando o vishnugranthi é atravessado (pelo prána durante o kúmbhaka), a felicidade suprema está próxima. No vazio do vishuddha chakra surge um som que ressoa como o rufar do timbal.

Parichayávasthá.

IV:74.Parichayávasthá: na terceira etapa percebe-se um som parecido ao de um tambor mardala, ecoando no espaço do intercílio; então, prána entra no grande vazio (mahashúnya, isto é, sushumná), a sede de todos os siddhis.

IV:75.Uma vez superado o estado de felicidade puramente mental (alcançado ao escutar os sons supersutis antes descritos), experiencia-se de forma espontânea a felicidade que deriva do conhecimento do átman. Neste ponto, superam-se todos os desequilíbrios (dos dhatus, humores corporais), as dores, a velhice, a enfermidade, a fome e o cansaço.

Nishpatti avasthá.

IV:76. Nishpatti avasthá: uma vez atravessado o "nó de Rudra" (rudragranthi, no ájña chakra, no intercílio), o prána alcança o assento de Íshvara (no topo da cabeça, sahásrara chakra). Então se ouve um som como o da flauta, que assume depois a ressonância da víná.

IV:77.A integração mental (em um estado no qual a dualidade sujeito-objeto não existe) se denomina Rája Yoga. O yogi se torna assim mestre da criação e da destruição, como Íshvara (assumindo poderes comparáveis a Íshvara).

IV:78.Chame-se ou não libertação, isto é a felicidade perfeita; esta felicidade provém da absorção (láyá) e se consegue através do Rája Yoga.

Hatha e Rája.

IV:79.Há muitos que são apenas hathayogis e não conhecem o Rája Yoga; estes são simples praticantes que nunca alcançam os frutos de seus esforços.

Unmani avasthá.

IV:80.A concentração no espaço entre as sobrancelhas é a melhor forma de alcançar o unmani avasthá em pouco tempo. Mesmo para as pessoas de intelecto limitado, esta é a forma mais adequada para alcançar o Rája Yoga. O estado de absorção que nasce de náda, proporciona esta experiência de forma imediata.

IV:81.(Todos) os grandes yogis que alcançaram o estado de samádhi através da concentração no náda, sentiram em seus corações uma felicidade ímpar, que está além de toda descrição e que somente pode conhecer-se pela graça do abençoado mestre (Sri Gurunatha).

Prática do náda.

IV:82.O praticante silencioso (muni), fechando os ouvidos com os polegares, ouve (atentamente) o som supersutil (em seu interior) até alcançar o estado imutável (turíya).

IV:83.Por meio da prática da audição atentiva, o som interior sobrepõe-se gradualmente aos sons exteriores; assim o yogi, em quinze dias, pode superar a instabilidade mental e alcançar a felicidade suprema.

IV:84.Nas primeiras etapas da prática se podem ouvir diversos sons interiores fortes, mas na medida em que se progride, estes se tornam cada vez mais sutis.

IV:85-86. No início, ouvem-se interiormente vários sons, como o rugir do oceano ou o trovão, como o tambor jarjara ou o timbal. Na etapa intermédia os sons se percebem como um tambor mardala, a concha, o sino, a trombeta. Finalmente, o som se assemelha ao dos crótalos, ao da flauta, ao da víná e ao das abelhas. Os diferentes sons se escutam desde o centro do corpo.

IV:87.Embora possam perceber-se os sons fortes, como o do trovão ou o do timbal, é preciso dirigir a atenção exclusivamente aos sons mais sutis.

IV:88.Embora a atenção possa alternar-se entre os sons fortes e os sutis, deve-se impedir que a mente, ao ser de natureza instável, vagueie por todas partes.

IV:89.Pode-se conseguir a estabilidade meditando em qualquer som interno em que a mente fixe primeiramente a atenção. Esse é o estado de láyá, em que se absorvem a mente e o som.

IV:90.A mente absorta em náda não sente atração pelos objetos dos sentidos, igual que uma abelha que quando bebe o néctar (das flores), não se preocupa com seu cheiro.

IV:91.O afiado gume de ferro do náda restringe efetivamente a atividade da mente, que se comporta como um elefante louco (difícil de controlar) vagueando pelo jardim dos objetos sensoriais.(Aqui se faz referência ao pratyáhára, que consiste em retrair os sentidos da influência que os objetos exercem sobre eles.)

IV:92.Quando a mente estiver despojada da sua (habitual) natureza inquieta e ficar firmemente contida pelas rédeas do som sutil (náda), alcançar-se-á a estabilidade, igual a um pássaro com as asas cortadas, que não pode voar.

IV:93.O yogi, desejoso de alcançar o domínio do Yoga, deve reduzir ao mínimo toda atividade mental e, com a mente totalmente concentrada, meditar exclusivamente no náda.(A mente deve tornar-se uma coisa só com o som sutil.)

Semelhanças.

IV:94.O náda é como a armadilha que captura o antílope interno (a mente); e também como o caçador que mata ao animal interior (o pensamento conceitual).

IV:95.O náda é como o ferrolho da porta que encerra o cavalo (o pensamento conceitual) do yogi; por conseguinte, deve-se meditar diariamente sobre ele.

IV:96.A mente e o som sutil agem como o mercúrio e o sulfuro quando se unem. A mistura solidifica-se e o mercúrio (a mente) perde sua natureza ativa. Assim, a mente torna-se capaz de mover-se sem apoio no espaço (que é Brahmá).

IV:97.A mente é como a serpente interior que, ouvindo o náda, esquece qualquer outro conteúdo e, absorta na unidade, pára de mexer-se em qualquer direção.

Asamprájñata samádhi.

IV:98.O fogo que queima um tronco se apaga quando consumiu toda a madeira; assim também a mente, quando permanece concentrada (e não busca mais combustível), dissolve-se no náda.

IV:99.A mente (antahkarana) é como o antílope que, atraído pelo som da fêmea no cio, fica imóvel e pode ser facilmente ferido pelo arqueiro (isto é, pode ser totalmente silenciada por aquele que dominar o prána).

IV:100.O que se pode ouvir neste ponto é a ressonância mística de um som; e a quintessência disso que se ouve é o supremo objeto de conhecimento, a consciência absoluta (chaitanya). A mente (antahkarana) torna-se una com a consciência, dissolvendo-se nela. Este é o supremo estado de Vishnu (o Ser Onipresente).


IV:101.O conceito de ákasha (o substrato do som) existe somente enquanto o som supersutil pode ouvir-se. A realidade transcendental (Brahman) manifestada no silêncio é o supremo átman.

IV:102.Tudo o que se ouve sob a forma do divino náda é de fato shaktí. O estado que está além de toda forma, no qual os elementos (tattvas) se dissolvem (láyá), é o Supremo Senhor (Parameshvara). Aqui concluem as instruções sobre o som supersutil (náda).

Unmani avasthá.

IV:103.Todas as práticas do Hatha e o Láyá Yoga não são mais que meios para conseguir o Rája Yoga; quem realizar o Rája Yoga triunfará sobre a morte.

IV:104.A mente é a semente, o Hatha Yoga o solo e o desapego (vairágya) a água; com estes três elementos cresce rapidamente a árvore sagrada (kalpavriksha) do unmani avasthá.

IV:105.Por meio da meditação constante no náda, destroem-se todos os desejos acumulados e a mente e o prána dissolvem-se definitivamente na imaculada consciência absoluta (esvaziada dos gunas).

IV:106.Durante o unmani avasthá o corpo se assemelha a um pedaço de madeira. O yogi não se estremece nem pelo poderoso som da concha (shankha) nem pelo do grande tambor (dundubhi).

IV:107.O yogi que supera todos os estados e se libera de todos os pensamentos, parece estar morto (isto é, permanece imutável ante os estímulos externos). Ele está liberado, sem sombra de dúvida.

Samádhi.

IV:108.O yogi em samádhi não é atingido pelo processo do tempo (a morte), nem pelo fruto das ações (karma); nada nem ninguém podem afetar-lhe.

IV:109.O yogi em samádhi não recebe nada através dos sentidos; não conhece a si mesmo nem aos demais.

IV:110.Aquele cuja mente não está desperta nem dormida, livre das lembranças e do esquecimento, para quem nada permanece quieto o ativo, aquele é realmente um liberado (jivanmukti).[A mente dorme quando perde a faculdade de discernir entre os diferentes objetos, pois tamas encobre os órgãos dos sentidos, superando rájas e sattva. O estado de samádhi não é de vigília porque não se experienciam os objetos dos sentidos. Tampouco é um estado no qual surjam lembranças, pois não se trata de uma modificação mental que surgiu antes, e não se desperta de tal estado. Permanece-se livre do esquecimento, porque não há impressões mentais que conduzam à lembrança. Não se está quieto, porque existem ainda impressões residuais; e tampouco ativo, porque as modificações mentais cessaram seu movimento.]

IV:111.O yogi em samádhi é insensível ao calor e ao frio, à dor e ao prazer, à honra e ao insulto.

IV:112.Certamente, trata-se de uma pessoa liberada, de aspecto saudável (com a mente clara e desperta), que parece dormido mas está desperto, que não inala nem exala (devido ao kevala kúmbhaka).

IV:113.O yogi em samádhi não pode ser ferido por arma alguma, nem ser atacado por ninguém; está além das influências de mantras e yantras.

Conclusão.

IV:114.Enquanto o prána não entrar em sushumná e alcançar sua meta no brahmárandhra, enquanto o bindu não estiver controlado mediante a contenção da respiração, enquanto a consciência (chitta) não refletir sem esforço sua autêntica natureza (Brahman) durante a meditação, aqueles que falam de conhecimento espiritual não serão mais que charlatões indignos de confiança.

Aqui conclui o quarto e último capítulo do Hatha Yoga Pradípiká, que versa sobre láyá, náda e samádhi.

Swamiji Shankara Saraswati Maharaj

quinta-feira, 15 de março de 2007

Mandala Brahmana Upanishad

Mandala Brahmana Upanishad
Translated English by: Shri.K. Narayanasvami Aiyar
Translated to Portuguese: Swamini Hanumayi Saraswati


Om! That (Brahman) is infinite, and this (universe) is infinite.
Om! Aquele (Brahman) é infinito, e este (universo) é infinito.

The infinite proceeds from the infinite.
O infinito provém do infinito.

(Then) taking the infinitude of the infinite (universe),
(Então) tomando a infinitude do infinito (universo),

It remains as the infinite (Brahman) alone.
Ele permanece somente como o infinito (Brahman).

Om! Let there be Peace in me!
Om! Permita que haja Paz em mim!
Let there be Peace in my environment!
Permita que haja Paz em meu ambiente!

Let there be Peace in the forces that act on me!
Permita que haja Paz nas forças que atuam em mim!

BRAHMANA - I BRAHMANA - I

1.OM. The great Muni Yajnavalkya went to Aditya-Loka (the sun’s world) and saluting him (the Purusha of the Sun) said: “O Revered Sir, describe to me the Atman-Tattva (the Tattva or Truth of Atman).”

1.OM. O grande Muni Yajnavalkya chegou ao Aditya-Loka (o mundo do sol) e saudando-o (ao Purusha do Sol) disse: “Ó Venerável Senhor, descreva-me o Atman-Tattva ( o Tattva ou Verdade do Atman)".
(To which) Narayana (viz., the Purusha of the sun) replied: “I shall describe the eight-fold Yoga together with Jnana”. The conquering of cold and heat as well as hunger and sleep, the preserving of (sweet) patience and unruffledness ever and the restraining of the organs (from sensual objects) – all these come under (or are) Yama.

(Ao qual) Narayana (ou seja o Purusha do Sol) respondeu: “Eu descreverei o Yoga dos oito passos junto com Jnana”. A conquista do frio e do calor assim como da fome e do sono, a preservação da (doce) paciência e serenidade sempre e a restrição dos sentidos (dos objetos sensuais) – tudo isso são experiências de (ou são) Yama.

Devotion to one’s Guru, love of the true path, enjoyment of objects producing happiness, internal satisfaction, freedom from association, living in a retired place, the controlling of the Manas and the not longing after the fruits of actions and a state of Vairagya – all these constitute Niyama. The sitting in any posture pleasant to one and clothed in tatters (or bark) is prescribed for Asana (posture). Inspiration, restraint of breath and expiration, which have respectively 16, 64 and 32 (Matras) constitute Pranayama (restraint of breath). The restraining of the mind from the objects of senses is Pratyahara (subjugation of the senses). The contemplation of the oneness of consciousness in all objects is Dhyana. The mind having been drawn away from the objects of the senses, the fixing of the Chaitanya (consciousness) (on one alone) is Dharana. The forgetting of oneself in Dhyana is Samadhi. He who thus knows the eight subtle parts of Yoga attains salvation.
Devoção a seu Guru, amor pelo caminho da verdade, apreciação pelos dos objetos que produzem alegria, satisfação interna, desapego nas relações, morada em lugar retirado, controle de Manas e não aspiração aos frutos das ações e um estado de Vairagya – tudo isso constitui Niyama. Sentar-se em qualquer postura confortável e vestir-se em trapos (ou casca) é prescrito para Asana (postura). Inspiração, retenção do ar e expiração, que têm respectivamente 16, 64 e 32 (Matras) constituem Pranayama (retenção do ar). A restrição da mente dos objetos dos sentidos é Pratiahara (domínio dos sentidos). A contemplação da unicidade da consciência em todos os objetos é Dhyana. O afastamento da mente dos objetos dos sentidos, a fixação de Chaitanya (consciência) (somente no um) é Dharana. O esquecimento de si próprio, em Dhyana, é Samadhi. Aquele que assim conhece as sutis oito partes do Yoga alcança a salvação.
2. The body has five stains (viz.,) passion, anger, out-breathing, fear and sleep. The removal of these can be affected respectively by absence of Sankalpa, forgiveness, moderate food, carefulness and a spiritual sight of Tattvas.

2. O corpo tem cinco manchas (a saber) paixão, ira, sem ar (morte), medo e sono. A remoção delas pode ocorrer, respectivamente, através da ausência de Sankalpa, pelo perdão, pela alimentação moderada, pela atenção e por uma visão espiritual dos Tattvas.

In order to cross the ocean of Samsara where sleep and fear are the serpents, injury, etc., are the waves, Trishna (thirst) is the whirlpool and wife is the mire, one should adhere to the subtle path and overstepping Tattva and other Gunas should look out for Taraka. Taraka is Brahman which being in the middle of the two eyebrows, is of the nature of the spiritual effulgence of Sachchidananda.

De modo a atravessar o oceano de Samsara onde o sono e o medo são as serpentes; injustiça, etc., são as ondas, Trishna (cobiça) é o redemoinho e a esposa é o lodo, dever-se-ia aderir ao caminho sutil e ultrapassando Tattva e outros Gunas, dever-se-ia mirar Taraka. Taraka é Brahman que, estando entre as sobrancelhas, tem a natureza do esplendor espiritual de Sachchidananda.

The (spiritual) seeing through the three Lakshyas (or the three kinds of introvision) is the means to It (Brahman). Susumna which is from the Muladhara to Brahmarandhra has the radiance of the sun. In the centre of it, is Kundalini shining like Crores of lightning and subtle as the thread in the lotus-stalk. Tamas is destroyed there.

A visão (espiritual) através dos três Lakshyas (ou os três tipos de introvisão) é o significado a Ele (Brahman). Sushumna que vai de Muladhara a Brahmarandhra tem o brilho do sol. No centro dele, está Kundalini brilhando como dez milhões de relâmpago e sutil como um filamento no caule do lótus. Lá, Tamas é destruído.

Through seeing it, all sins are destroyed. When the two ears are closed by the tips of the forefingers, a Phutkara (or booming) sound is heard. When the mind is fixed on it, it sees a blue light between the eyes as also in the heart. (This is Antar-Lakshya or internal introvision). In the Bahir-Lakshya (or external introvision) one sees in order before his nose at distance of 4, 6, 8, 10 and 12 digits, the space of blue colour, then a colour resembling Shyama (indigo-black) and then shining as Rakta (red) wave and then with the two Pita (yellow and orange red) colours. Then he is a Yogin.

Vendo-o, todos os pecados são destruídos. Quando os dois ouvidos são fechados pelas pontas dos dedos indicadores, a Phutkara (ou estrondo) som é escutado. Quando a mente esta fixa nele, vê uma luz azul entre os olhos assim como no coração. (Esta é Antar-Lakshya ou intravisão interna). Em Bahir-Lakshya, (ou intravisão externa) vê-se em ordem, diante do nariz, à distância de 4, 6, 8, 10 e 12 dedos, o espaço em cor azul, depois uma cor parecendo Shyama (indigo-preto) e depois brilhando como onda Rakta (vermelha) e depois com as duas cores Pita (amarelo e laranja-avermelhado). Então ele é um Yogue.

When one looks at the external space, moving the eyes and sees streaks of light at the corners of his eyes, then his vision can be made steady. When one sees Jyotis (spiritual light) above his head 12 digits in length, then he attains the state of nectar. In the Madhya-Lakshya (or the middle one), one sees the variegated colours of the morning as if the sun, the moon and the fire had joined together in the Akasa that is without them. Then he comes to have their nature (of light). Through practice, he becomes one with Akasa, devoid of all Gunas and peculiarities.

Quando alguém olha para o espaço externo, movendo os olhos e vê traços de luz nos cantos de seus olhos, então sua visão pode se tornar firme. Quando alguém vê Jyotis (luz espiritual), acima de sua cabeça, com dez dedos de cumprimento, então ele atinge o estado de néctar. Em Madhya-Lakshya (ou a do meio), vê as variegadas cores da manhã, como se o sol, a lua e o fogo tivessem se encontrado em Akasa que está sem eles. Então ele começa a ter sua natureza (de luz). Através da prática, ele torna-se um com Akasa, desprovido de todos os Gunas e peculiaridades.

At first Akasa with its shining stars becomes to him Para-Akasa as dark as Tamas itself and he becomes one with Para-Akasa shining with stars and deep as Tamas. (Then) he becomes one with Maha-Akasa resplendent (as) with the fire of the deluge. Then he becomes one with Tattva-Akasa, lighted with the brightness which is the highest and the best of all. Then he becomes one with Surya-Akasa (Sun-Akasa) brightened by a Crore of suns. By practising thus, he becomes one with them. He who knows them becomes thus.

A princípio, Akasa, com suas estrelas brilhantes torna-se para ele Para-Akasa, tão escuro como o próprio Tamas e ele se torna um com Para-Akasa, brilhando com as estrelas e profundo como Tamas. (Então) ele se torna um com Maha-Akasa brilhante (como) com o fogo do dilúvio. Então ele se trona um com Surya-Akasa (Sun-Akasa) iluminado por dez milhões de sóis. Praticando assim, ele torna-se um com eles. Torna-sea assim, aquele que os conhece.

3. Know that Yoga is twofold through its division into the Purva (earlier) and the Uttara (later). The earlier is Taraka and the later is Amanaska (the mindless). Taraka is divided into Murti (with limitation) and Amurti (without limitation). That is Murti Taraka which goes to the end of the senses (or exist till the senses are conquered). That is Amurti Taraka which goes beyond the two eyebrows (above the senses). Both these should be performed through Manas. Antar-Drishti (internal vision) associated with manas comes to aid Taraka. Tejas (spiritual light) appears in the hole between the two eyebrows. This Taraka is the earlier one. The later is Amanaska. The great Jyotis (light) is above the root of the palate. By seeing it, one gets the Siddhis Anima, etc.

3. Saiba que este Yoga é duplo através de sua divisão em Purva(inicial) e Uttara(final). O inicial é Taraka e o final Amanaska (o sem mente). Taraka está dividdido em Murti(com limitação) e Amurti(sem limitação). Aquele é Murti Taraka que acontece até ao final dos sentidos (ou existe até que os sentidos sejam conquistados). Esse é Amurti Taraka que ocorre entre as duas sobrancelhas (acima dos sentidos). Ambos podem ser realizados através de Manas. Antar-Drishti (visão interna) associada com manas chegam a ajudar Taraka. Tejas (luz espiritual) aparece no buraco entre as duas sobrancelhas. Este Taka é o inicial. O final é Amanaska. O grande Jyotis (luz) está acima da raiz do palato. Ao vê-lo, atinge-se o Siddhis Anima, etc.

Sambhavi-Mudra occurs when the Lakshya (spiritual vision) is internal while the (physical) eyes are seeing externally without winking. This is the great science which is concealed in all the Tantras. When this is known, one does not stay in Samsara. Its worship (or practice) gives salvation. Antar-Lakshya is of the nature of Jala-Jyotis (or water-Jyotis). It is known by the great Rishis and is invisible both to the internal and external senses.

Sambhavi-Mudra ocorre quando Lakshya (visão espiritual) é interna enquanto os olhos (físicos) estão vendo externamente sem piscar. Esta é a grande ciência que está oculta em todos os Tantras. Quando isso é conhecido, não se permanece no Samsara. A sua veneração (ou prática) concede salvação. Antar-Lakshya tem a natureza de Jala-Jyotis (ou Jyotis da água). É conhecida dos Rishis e é invisível tanto para os sentidos internos quanto externos.

4. Sahasrara (viz., the thousand-petalled lotus of the pineal gland) Jala-Jyotis is the Antar-Lakshya. Some say the form of Purusha in the cave of Buddhi beautiful in all its parts is Antar-Lakshya. Some again say that the all-quiescent Nilakantha accompanied by Uma (his wife) and having five months and latent in the midst of the sphere in the brain is Antar-Lakshya. Whilst others say that the Purusha of the dimension of a thumb is Antar-Lakshya. A few again say Antar-Lakshya is the One Self made supreme through introvision in the state of a Jivanmukta. All the different statements above made pertain to Atman alone.

4. Sahasrara (ou seja., o lótus de mil pétalas da glândula pineal) Jala-Jyotis é Antar-Lakshya. Alguns dizem que a forma de Purusha, na caverna de Buddhi, bela em todas as suas partes é Antar-Lakshya. Outros dizem também que o todo-inativo Nilakantha acompanhado por Uma (sua esposa) e tendo cinco meses e latente, no meio de uma esfera no cérebro, é Antar-Lakshya. Enquanto outros dizem que Purusha com a dimensão de um polegar é Antar-Lakshya. Uns poucos dizem que Antar-Lakshya é o Único Eu feito supremo através da introvisão no estado de um Jivanmukta. Todas as afirmações acima estão relacionadas ao único Atman.

He alone is a Brahma-Nishtha who sees that the above Lakshya is the pure Atman. The Jiva which is the twenty-fifth Tattva, having abandoned the twenty-four Tattvas, becomes a Jivanmukta through the conviction that the twenty-sixth Tattva (viz.,) Paramatman is ‘I’ alone. Becoming one with Antar-Lakshya (Brahman) in the emancipated state by means of Antar-Lakshya (introvision), Jiva becomes one with the partless sphere of Param-Akasa.
Thus ends the first Brahmana.

Apenas Ele é um Brahma-Nishtha que vê que acima de Lakshya está o puro Atman. Jiva que é o vigésimo quinto Tattva, tendo abandonado os vinte e quatro Tattvas, torna-se um Jivanmukta através da convicção de que o vigésimo sexto Tattva, ou seja, Paramatman é o único ‘Eu’. Tornando-se um com with Antar-Lakshya (Brahman) no estado emancipado através de Antar-Lakshya (introvisão), Jiva torna-se um com a esfera indivisa de Param-Akasa.

Assim termina o primeiro Brahmana.



BRAHMANA - II BRAHMANA – II

1. Then Yajnavalkya asked the Purusha in the sphere of the sun: “O Lord, Antar-Lakshya has been described many times, but it has never been understood by me (clearly). Pray describe it to me”. He replied: “It is the source of the five elements, has the lustre of many (streaks of) lightning and has four seats having (or rising from) ‘That’ (Brahman)”. In its midst, there arises the manifestation of Tattva. It is very hidden and Unmanifested. It can be known (only) by one who has got into the boat of Jnana.

1. Então Yajnavalkya perguntou ao Purusha, na esfera do sol: “Ò Senhor, Antar-Lakshya foi descrita muitas vezes, mas nunca foi compreendida por mim (claramente). Rogo que a descreva-me.” Ele respondeu: “Ela é a fonte dos cinco elementos, tem o brilho de muitos (riscos de) relâmpagos e tem quatro assentos tendo (ou nascendo do) ‘Isso’ (Brahman)”. Em seu meio, desperta a manifestação de Tattva. Está fora do alcance da visão e é Imanifesta. Pode ser conhecida (apenas) por aquele que entrou no barco de Jnana.


It is the object of both Bahir and Antar (external and internal) Lakshyas. In its midst is absorbed the whole world. It is the vast partless universe beyond Nada, Bindu and Kala. Above it (viz., the sphere of Agni) is the sphere of the sun; in its midst is the sphere of the nectary moon; in its midst is the sphere of the partless Brahma-Tejas (or the spiritual effulgence of Brahman). It has the brightness of Sukla white light) like the ray of lightning. It alone has the characteristic of Sambhavi. In seeing this there are three kinds of Drishti (sight), viz., Ama (the new moon), Pratipat (the first day of lunar fortnight) and Purnima (the full moon).

É o objeto tanto de Bahir como Antar (externa e interna) Lakshyas. Em seu centro, todo o mundo é absorvido. Ela é o vasto universo indiviso além de Nada, Bindu e Kala. Acima dela (ou seja, da esfera de Agni) está à esfera do sol; em seu centro está a esfera da lua de néctar; em seu centro, está à esfera do indiviso Brahma-Tejas (ou resplandescência espiritual de Brahma). Tem o brilho da luz branca de Sukla, como o raio do relâmpago. Apenas ela tem as características de Sambhavi. Vendo isso há três tipos de Drishti (visão), ou seja: Ama (a lua nova) , Pratipat (o primeiro dia da quinzena lunar) e Purnima (a lua cheia).

The sight of Ama is the one (seen) with closed eyes. That with half opened eyes is Pratipat; while that with fully opened eyes is Purnima. Of these, the practice of Purnima should be resorted to. Its Lakshya (or aim) is the tip of the nose. Then is seen a deep darkness at the root of the palate. By practising thus, a Jyotis (light) of the form of an endless sphere is seen. This alone is Brahman, the Sachchidananda. When the mind is absorbed in bliss thus naturally produced, then does Sambhavi takes place. She (Sambhavi) alone is called Khechari. By practising it (viz., the Mudra), a man obtains firmness of mind. Through it, he obtains firmness of Vayu.

A visão de Ama é aquela (vista) com olhos fechados. Aquela, com olhos semi-abertos, são Pratipat; enquanto que aquela com os olhos plenamente abertos é Purnima. Destas, a prática de Purnima é que deve ser obrigatoria. Seu Lakshya (ou foco) é a ponta do nariz. Depois, vê-se uma escuridão profunda na raiz do palato. Assim praticando, é vista uma Jiotys (luz) na forma de uma esfera infinita. Isso é Brahman, o Sachchidananda. Quando a mente está absorvida em bem-aventurança assim naturalmente produzida, então Sambhavi acontece. Ela (Shambavi) é chamada Kechari. Praticando-o (ou seja, o Mudra), um homem obtém controle da mente. Através deste, obtém controle de Vayu.

The following are the signs: first it is seen like a star; then a reflecting (or dazzling) diamond; then the sphere of full moon; then the sphere of the brightness of nine gems; then the sphere of the midday sun; then the sphere of the flame of Agni (fire); all these are seen in order.
Os sinais são os seguintes: primeiro é visto como uma estrela; depois, um diamante refletindo (ou ofuscante); depois, a esfera da lua cheia; depois, uma esfera de brilho com nove gemas; depois, a esfera do sol do meio-dia, depois, a esfera da chama de Agni (fogo); tudo isso é visto em ordem.

2. (Thus much for the light in Purva or first stage.) Then there is the light in the western direction (in the Uttara or second stage). Then the lustres of crystal, smoke, Bindu, Nada, Kala, star, firefly, lamp, eye, gold and nine gems, etc., are seen. This alone is the form of Pranava. Having united Prana and Apana and holding the breath in Kumbhaka, one should fix his concentration at the tip of his nose and making Shanmukhi with the fingers of both his hands, one hears the sound of Pranava (Om) in which Manas becomes absorbed. Such a man has not even the touch of Karma. The karma of (Sandhya-Vandana or the daily prayers) is verily performed at the rising or setting of the sun.

2. (Assim resulta muito para a luz em Purva ou primeiro estágio). Depois, há a luz na direção ocidental (em Uttara ou segundo estágio). Então os brilhos de cristal, fumaça, Nada, Kala, estrela, vaga-lume, candieiro, olho, ouro e nove gemas, etc., são vistos. Isso é a forma de Pranava. Tendo unido Prana e Apana e segurando a respiração em Kumbhaka, deve-se concentrar a atenção na ponta do nariz e fazendo Shanmukhi com os dedos das duas mãos, escuta-se o som de Pranava (Om) no qual, Manas torna-se absorto. Tal homem não tem mesmo o toque de Karma. O karma de (Sandhya-Vandana ou orações diárias) é verdadeiramente executado ao nascer ou por-do-sol.

As there is no rising or setting (but only the ever shining) of the sun of Chit (the higher consciousness) in the heart of a man who knows thus, he has no Karma to perform. Rising above (the conception of) day and night through the annihilation of sound and time, he becomes one with Brahman through the all-full Jnana and the attaining of the state of Unmani (the state above Manas). Through the state of Unmani, he becomes Amanaska (or without Manas).

Assim como não há nascimento nem por-do-sol (mas somente o contínuo brilho) do sol de Chit (a consciência mais elevada) no coração de um homem que assim conhece, ele não tem Karma a executar. Despertando (da concepção de) dia e noite, por meio da anulação do som e tempo, torna-se um com Brahman, através do todo-pleno Jnana e atinge o estado de Unmani (o estado acima de Manas). Através do estado de Unmani, torna-se Amanaska (ou sem Manas).

Not being troubled by any thoughts (of the world) then constitutes the Dhyana. The abandoning of all Karmas constitutes Avahana (invocation of god). Being firm in the unshaken (spiritual) wisdom constitutes Asana (posture). Being in the state of Unmani constitutes the Padya (offering of water for washing the feet of god). Preserving the state of Amanaska (when Manas is offered as sacrifice) constitutes the Arghya (offering of water as oblation generally). Being in state of eternal brightness and shoreless nectar constitutes Snana (bathing).

Não se perturbar por nenhum pensamento (do mundo), então, constitui Dhyana. O abandono de todos os Karmas constitui Avahana (invocação de deus). Manter-se firme na imóvel sabedoria (espiritual) constitui Asana (postura). Manter-se no estado de Unmani constitui Padya (oferta de água para lavar os pés de deus). A preservação do estado de Amanaska (quando a mente é oferecida em sacrifício) constitui Arghya (oferta de água como oblação em geral). Manter-se em estado de brilho eterno e néctar sem margem constitui Snana (banho).


The contemplation of Atman as present in all constitutes (the application to the idol of) Sandal. The remaining in the real state of the Drik (spiritual eye) is (the worshipping with) Akshata (non-broken rice). The attaining of Chit (consciousness) is (the worshipping with) flower. The real state of Agni (fire) of Chit is the Dhupa (burning of incense). The state of the sun of Chit is the Dipa (light waved before the image). The union of one-self with the nectar of full moon is the Naivedya (offering of food, etc.,). The immobility in that state (of the ego being one with all) is Pradakshina (going round the image). The conception of ‘I am He’ is Namaskara (prostration). The silence (then) is the Sruti (praise). The all-contentment (or serenity then) is the Visatjana (giving leave to god or finishing worship). (This is the worship of Atman by all raja-Yogins). He who knows this knows all.

A contemplação de Atman como presente em tudo constitui (uma petição ao ídolo de) Sandal. Permanecer no estado verdadeiro de Drik (olho espiritual) é (a adoração com) Akshata (arroz não quebrado). Alcançar Chit (consciência) é (adoração com) flor. O estado verdadeiro de Agni (fogo) de Chit é Dupa (queima de incenso). O estado de sol de Chit é Dipa (mover a luz de um lado para outro, diante da imagem). A união do si mesmo com o néctar da lua cheia é Naiedya (oferta de alimento, etc). A imobilidade neste estado (do ego sendo um com o todo) é Pradakshina (andar em volta da imagem). A concepção de ‘Eu sou Ele’ é Namaskara (prostração). O silêncio (então) é Sruti (louvor). O todo-contentamento (ou serenidade, após) é Visatjana (despedida de Deus ou término da adoração). (Esta é a adoração de Atman por todos os raja-yogues). Aquele que conhece isso, conhece tudo.

3. When the Triputi are thus dispelled, he becomes the Kaivalya Jyotis without Bhava (existence) or Abhava (non-existence), full and motionless, like the ocean without the tides or like the lamp without the wind. He becomes a Brahmavit (knower of Brahman) by cognising the end of the sleeping state even while in the waking state. Though the (same) mind is absorbed in Sushupti as also in Samadhi, there is much difference between them. (in the former case) as the mind is absorbed in Tamas, it does not become the means of salvation, (but) in Samadhi as the modifications of Tamas in him are rooted away, the mind raises itself to the nature of the Partless.

3. Quando o Triputi são assim removidos, ele torna-se Kaivalya Jyotis, sem Bhava (existência) ou Abhava (não-existência), pleno e imóvel, como o oceano sem as marés ou como um candieiro sem o vento. Ele torna-se um Brahmavit (conhecedor de Brahman) por saber o fim do estado de sono mesmo enquanto acordado. Embora a (mesma) mente seja absorvida em Sushupti assim como em Samadhi, há muita diferença entre ambos. (No caso anterior) assim como a mente é absorvida em Tamas, ela não se torna o meio de salvação, (mas) em Samadhi, como as modificações de Tamas nele foram arrancadas pela raiz, à mente eleva a si mesma à natureza do Indiviso.

All that is no other than Sakshi-Chaitanya (wisdom-consciousness or the Higher Self) into which the absorption of the whole universe takes place, in as much as the universe is but a delusion (or creation) of the mind and is therefore not different from it. Though the universe appears perhaps as outside of the mind, still it is unreal. He who knows Brahman and who is the sole enjoyer of Brahmic bliss which is eternal and has dawned once (for all in him) – that man becomes one with Brahman.

Tudo isso não é outro senão Sakshi-Chaitanya (sabedoria-consciência ou o Eu Superior) no qual ocorre a absorção do universo inteiro, visto que o universo é uma delusão (ou criação) da mente e, portanto, não seja diferente dela. Embora o universo apareça, talvez, como fora da mente, ainda é irreal. Aquele que conhece Brahman que é o único desfrutador da bem-aventurança Brâhmica, que é eterna e que despontou uma vez (para tudo nele) – este homem torna-se um com Brahman.

He in whom Sankalpa perishes has got Mukti in his hand. Therefore one becomes an emancipated person through the contemplation of Paramatman. Having given up both Bhava and Abhava, one becomes a Jivanmukta by leaving off again and again in all states Jnana (wisdom) and Jneya (object of wisdom), Dhyana (meditation) and Dhyeya (object of meditation), Lakshya (the aim) and Alakshya (non-aim), Drishya (the visible) and Adrishya (the non-visible) and Uha (reasoning) and Apoha (negative reasoning). He who knows this knows all.

Aquele no qual Sankalpa morre tem Mukti em sua mão. Portanto, alguém se torna uma pessoa emancipada através da contemplação de Paramatman. Tendo renunciado a Bhava e Abahava, torna-se um Jivanmukta por abandonar continuamente em todos os estados de Jnana (sabedoria) e Jneya (objeto de sabedoria), Dhyana (meditação) e Dhyeya (objeto de meditação), Lakshya (foco) e Alakshya (não-foco), Drishya (o visível) e Adrishya (o não-visível) e Uha (raciocínio) e Apoha (raciocínio negativo). Aquele que sabe isso, sabe tudo.

4. There are five Avasthas (states): Jagrat (waking), Swapna (dreaming), Sushupti (dreamless sleeping), the Turya (fourth) and Turyatita (that beyond the fourth). The Jiva (ego) that is engaged in the waking state becomes attached to the Pravritti (worldly) path and is the particular of Naraka (hell) as the fruit of sins. He desires Svarga (heaven) as the fruit of his virtuous actions. This very same person becomes (afterwards) indifferent to all these saying, ‘Enough of the births tending to actions, the fruits of which tend to bondage till the end of this mundane existence’. Then he pursues the Nivritti (return) path with a view to attain emancipation. And his person then takes refuge in a spiritual instructor in order to cross this mundane existence. Giving up passion and others, he does only those he is asked to do.

4. Há cinco Avasthas (estados): Jagrat (vígilia), Swapna (sono), Sushupti (sono sem sonho), Turya (quarto) e Turyatita (aquele além do quarto). Jiva (o ego), que está envolvido no estado de vigília, torna-se apegado ao caminho de Pravritti (terreno) e é o trajeto particular de Naraka (inferno) como o fruto dos pecados. Ele deseja Svarga (céu) como o fruto de suas ações virtuosas. Assim algumas pessoas tornam-se (posteriormente) indiferentes a todas essas coisas, dizendo: ‘Suficientes nascimentos inclinando-se para ações. Os frutos das quais se inclinam para a escravidão até o fim desta existência mundana.

Then having acquired the four Sadhanas (means to salvation) he attains, in the middle of the lotus of his heart, the Reality of Antar-Lakshya that is but the Sat of Lord and begins to recognise (or recollect) the bliss of Brahman which he had left (or enjoyed) in his Sushupti state. At last he attains this state of discrimination (thus): ‘I think I am the non-dual One only. I was in Ajnana for some time (in the waking state and called therefore Vishva). I became somehow (or involuntarily) a Taijasa (in the dreaming state) through the reflection (in that state) of the affinities of the forgotten waking state; and now I am a Prajna through the disappearance of those two states. Therefore I am one only. I (appear) as more than one through the differences of state and place. And there is nothing of differentiation of class besides me’

Então, tendo obtido os quatro Sadhanas (meios para a salvação), alcança, no meio da flor de lótus de seu coração, a Realidade de Antar-Lakshya, que é apenas o Sat do Senhor e começa a reconhecer (ou lembrar-se) a bem-aventurança de Brahman que ele havia deixado (ou desfrutado) no estado Sushupti. Por fim, atinge este estado de discriminação (assim): ‘Eu penso que sou unicamente o Um não-dual. Eu estava em Ajnana por algum tempo (no estado de vigília e chamado, portanto, Vishva). Tornei-me de algum jeito (ou involuntariamente) um Taijasa (no estado de sono) através da reflexão (no estado) de afinidades do esquecido estado de vígilia; e agora, eu sou um Prajna através do desaparecimento destes dois estados. Portanto, eu sou unicamente um. Eu (pareço) ser mais do que um devido às diferenças de estado e lugar. E não há nada de diferenciação de classe junto a mim.’

Having expelled even the smack of the difference (of conception) between ‘I’ and ‘That’ through the thought ‘I am the pure and the secondless Brahman’ and having attained the path of salvation which is of the nature of Para-Brahman, after having become one with It through the Dhyana of the sun’s sphere as shining with himself, he becomes fully ripened for getting salvation. Sankalpa and others are the causes of the bondage of the mind; and the mind devoid of these becomes fit for salvation. Possessing such a mind free from all (Sankalpa, etc.,) and withdrawing himself from the outer world of sight and others and so keeping himself out of the odour of the universe, he looks upon all the world as Atman, abandons the conception of ‘I’, thinks ‘I am Brahman’ and considers all these as Atman. Through these, he becomes one who has done his duty.

Tendo expelido até mesmo o sabor da diferença (de concepção) entre ‘Eu’ e ‘Isso’, através do pensamento ‘Eu sou o puro e sem segundo Brahman’ e tendo alcançado o caminho da salvação, que é o da natureza de Para-Brahman, depois de me ter tornado Um com Ele através de Dhyana da esfera do Sol como brilhando com ele mesmo, ele torna-se completamente maduro para alcançar a salvação. Sankalpa e outras, são as causas da escravidão da mente; e a mente desprovida destes, torna-se pronta para a salvação. Possuindo tal mente livre de tudo (Sankalpa, etc.) e retirando-se do mundo externo da visão e outros e assim mantendo-se fora do odor do universo, ele considera o mundo como Atman, abandona a concepção de ‘Eu’, pensa ‘Eu sou Brahman’ e considera tudo como este Atman. Devido a isso ele torna-se aquele que cumpriu sua missão.

5. The Yogin is one that has realised Brahman that is all-full beyond Turya. They (the people) extol him as Brahman; and becoming the object of the praise of the whole world, he wanders over different countries. Placing the Bindu in the Akasa of Paramatman and pursuing the path of the partless bliss produced by the pure, secondless, stainless and innate Yoga sleep of Amanaska, he becomes an emancipated person. Then the Yogin becomes immersed in the ocean of bliss. When compared to it, the bliss of Indra and others is very little. He who gets this bliss is the supreme Yogin.Thus ends the second Brahmana.

5. O Yogue é aquele que realizou Brahman, que é o todo-pleno além de Turya. Elas (as pessoas) o exaltam; e tornando-se o objeto de louvor no mundo inteiro, ele perambula por diferentes países. Colocando o Bindu em Akasa de Paramatman e buscando o caminho da bem-aventurança indivisa produzida pelo puro, sem segundo, sem mancha e inato sono Yoga de Amanaska, ele torna-se uma pessoa emancipada. Então o Yogue torna-se absorto no oceano de bem-aventurança. Quando comparado a isso, a bem-aventurança de Indra e outros, são muito pequenos. Aquele que obtém esta bem-aventurança é o Yogue supremo.

Assim termina o segundo Brahmana.



BRAHMANA - III BRAHMANA – III

1. The great sage Yajnavalkya then asked the Purusha in the sphere (of the sun): “O Lord, though the nature of Amanaska has been defined (by you), yet I forget it (or do not understand it clearly). Therefore pray explain it again to me. ”Accordingly the Purusha said: “This Amanaska is a great secret. By knowing this, one becomes a person who had done his duty. One should look upon it as Paramatman, associated with Sambhavi-Mudra and should know also all those that can be known through a (thorough) cognition of them.

1. Então o grande sábio Yajnavalkya perguntou ao Purusha na esfera (do sol): “Ó Senhor, embora a natureza de Amanaska tenha sido definida (por Vós), eu já a esqueci (ou não compreendi claramente)”. Portanto, rogo que explique novamente para mim. “Conformemente, Purusha disse: “Este Amanaska é um grande segredo”. “Conhecendo-o, alguém se torna uma pessoa que cumpriu sua missão. Deve-se ter o olhar sobre Ele e considerá-lo como Paramatman, associado com Sambhavi-Mudra e deve-se saber também tudo aquilo que pode ser sabido por meio da cognição deles".

Then seeing Para-Brahman in his own Atman as the Lord of all, the immeasurable, the birthless, the auspicious, the supreme Akasa, the supportless, the secondless the only goal of Brahma, Vishnu and Rudra and the cause of all and assuring himself that he who plays in the cave (of the heart) is such a one, he should raise himself above the dualities of existence and non-existence; and knowing the experience of the Unmani of his Mans, he then attains the state of Para-Brahman which is motionless as a lamp in a windless place, having reached the ocean of Brahmic bliss by means of the river of Amanaska-Yoga through the destruction of all his senses.

Então, vendo Para-Brahman em seu próprio Atman, como o Senhor de tudo, o imensurável, o não-nascido, o auspicioso, o supremo Akasa, o sem sustentação, o sem segundo, o único objetivo de Brahma, Vishnu e Rudra e a causa de tudo e assegurando a si mesmo que aquele que atua na caverna (do coração) é único, ele despertará a si mesmo acima das dualidades da existência e não-existência; e conhecendo a experiência de Unmani de seu Manas, ele atinge então, o estado de Para-Brahman que é imóvel como uma chama num local sem vento, tendo alcançado o oceano da bem-aventurança Brâhmica através o rio do Amanaska-Yoga, através da destruição de todos os sentidos.

Then he resembles a dry tree. Having lost all (idea of) the universe through the disappearance of growth, sleep, disease, expiration and inspiration, his body being always steady, he comes to have a supreme quiescence, being devoid of the movements of his Manas and becomes absorbed in Paramatman. The destruction of mans takes place after the destruction of the collective senses, like the cow’s udder (that shrivels up) after the milk has been drawn. It is this that is Amanaska. By following this, one becomes always pure and becomes one that has done his duty, having been filled with the partless bliss by means of the path of Taraka-Yoga through the initiation into the sacred sentences ‘I am pa’, 'That Thou Art', ‘I am thou alone’, ‘Thou art I alone’, etc...

Então ele se parece com uma árvore seca. Tendo perdido toda (idéia de) universo através do desaparecimento do crescimento, do sono, da doença, da expiração e inspiração, seu corpo estando sempre firme, ele começa a ter uma quietude suprema, desprovido dos movimentos de seu Manas e torna-se absorto em Paramatman. A destruição de Manas ocorre depois da destruição dos sentidos coletivos, como o úbere da vaca (que murcha) depois que o leite foi retirado. É isto que é Amanaska. Seguindo isso, alguém se torna sempre puro e torna-se o UM que cumpriu sua missão, tendo sido preenchido com a bem-aventurança indivisa por meio do caminho do Taraka-Yoga através da iniciação nas sagradas sentenças: ‘I am pa’, 'That Thou Art', ‘I am thou alone’, ‘Thou art I alone’, etc...
2. When his Mans is immersed in the Akasa and he becomes all-full and when he attains the Unmani state, having abandoned all his collective senses, he conquers all sorrows and impurities through the partless bliss, having attained the fruits of Kaivalya, ripened through the collective merits gathered in all his previous lives and thinking always ‘I am Brahman’, becomes one that has done his duty. ‘I am Thou alone. “There is no difference between thee and me owing to the fullness of Paramatman’.” Saying thus, he (the Purusha of the sun) embraced his pupil and made him understand it.
Thus ends the third Brahmana.

2. Quando seu Manas está imerso no Akasa e ele se torna todo-pleno e quando atinge o estado Unmani, tendo abandonado todos os sentidos coletivos, ele conquista todas as aflições e impurezas através da bem-aventurança indivisa, tendo alcançado todos os frutos de Kaivalya, amadurecidos através dos méritos coletivos acumulados em todas as suas vidas anteriores e pensando sempre ”Eu sou Brahman’, torna-se UM que cumpriu sua missão. ‘I am Thou alone (Sou muitos em um).’ Não há diferença entre tu e eu, devido à plenitude de Paramatman’”. Assim dizendo, Ele (o Purusha do sol) abraçou seu discípulo e o fez entender isso.

Assim termina o terceiro Brahmana.

BRAHMANA - IV BRAHMANA – IV

Then Yajnavalkya addressed the Purusha in the sphere (of the sun) thus: “Pray explain to me in detail the nature of the five-fold division of Akasa”. He replied: “There are five: Akasa, Parakasa, Mahakasa, Suryakasa and Paramakasa. That which is of the nature of darkness, both in and out is the first Akasa. That which has the fire of deluge, both in and out is truly Mahakasa. That which has the brightness of the sun, both in and out is Suryakasa. That brightness which is indestructible, all-pervading and of the nature of unrivalled bliss is Paramakasa. By cognising these according to this description, one becomes of their nature.He is a Yogin only in name, who does not cognise well the nine Chakras, the six Adharas, the three Lakshyas and the five Akasa.
Thus ends the fourth Brahmana.

“Então Yajnavalkya dirigiu-se assim ao Purusha na esfera (do sol): “Peço que me explique em detalhe a natureza da quíntupla divisão de Akasa” Ele respondeu: “Há cinco: Akasa, Parakasa, Mahakasa, Suryakasa and Paramakasa”“. Aquele que é da natureza da escuridão, tanto dentro como fora, é o primeiro Akasa. O que tem o fogo do dilúvio, tanto dentro como fora é verdadeiramente Mahakasa. O que tem o brilho do sol, tanto dentro como fora é Suryakasa. Aquele brilho que é indestrutível, todo-penetrante e da natureza da incomparável bem-aventurança é Paramakasa. Pelo conhecimento desses, de acordo com esta descrição, alguém pode tornar-se da natureza deles. É um Yogue apenas de nome, aquele que não conhece bem: os nove Chakras, os seis Adharas, os três Lakshyas e os cinco Akasa.

Assim termina o quarto Brahmana.

BRAHMANA - V BRAHMANA – V

“The Manas influenced by worldly objects is liable to bondage; and that (Mans) which is not so influenced by these is fit for salvation”. Hence all the world becomes an object of Chitta; whereas the same Chitta when it is supportless and well-ripe in the state of Unmani, becomes worthy of Laya (absorption in Brahman). This absorption you should learn from me who am the all-full. I alone am the cause of the absorption of Manas.

“Manas, influenciado pelos objetos terrenos, é responsável pela escravidão; e aquele (Manas) que não é influenciado por estes está preparado para a salvação”. Portanto, todo o mundo torna-se um objeto de Chitta; apesar de que o mesmo Chitta quando é sem sustentação e bem amadurecido no estado de Unmani, torna-se digno de Laya (absorção em Brahman). Esta absorção você deve aprender de mim que sou o todo-pleno. Apenas eu sou a causa da absorção de Manas.

The Mans is within the Jyotis (spiritual light) which again is latent in the spiritual sound which pertains to the Anahata (heart) sound.

Manas está no interior de Jyotis (luz espiritual) que novamente está latente no som espiritual ligado ao som do Anahata (coração).

That Manas which is the agent of creation, preservation and destruction of the three worlds – that same Manas becomes absorbed in that which is the highest seat of Vishnu; Through such an absorption, one gets the pure and secondless state, owing to the absence of difference then. This alone is the highest truth. He who knows this, will wander in the world like a lad or an idiot or a demon or simpleton. By practising this Amanaska, one is ever contented, his urine and faeces become diminished, his food becomes lessened; he becomes strong in body and his limbs are free from disease and sleep.

Aquele Manas que é o agente da criação, preservação e destruição dos três mundos – este mesmo Manas torna-se absorvido naquele que é o assento mais elevado de Vishnu; Através de uma tal absorção, atinge-se o estado puro e sem segundo, devido à ausência de diferença então. Esta é a única verdade mais elevada. Aquele que conhece isto, vagará pelo mundo como um jovem ou um imbecil ou um demônio ou um ingênuo. Praticando este Amanaska, está-se sempre satisfeito, a urina e as fezes diminui, a alimentação diminui; torna-se forte no corpo e seus membros estão livres de doença e sono.

Then his breath and eyes being motionless, he realises Brahman and attains the nature of bliss. That ascetic who is intent on drinking the nectar of Brahman produced by the long practice of this kind of Samadhi, becomes a Paramahamsa (ascetic) or an Avadhuta (naked ascetic). By seeing him, all the world becomes pure and even an illiterate person who serves him is freed from bondage. He (the ascetic) enables the members of his family for one hundred and one generations to cross the ocean of Samsara; and his mother, father, wife and children – all these are similarly freed. Thus is the Upanishad.”
Thus ends the fifth Brahmana.

Então sua respiração e os olhos tornam-se imóveis, realiza Brahman e atinge a natureza da bem-aventurança. Aquele asceta que pretende beber o néctar de Brahman produzido pela longa prática deste tipo de Samadhi, torna-se um Paramahamsa (asceta) ou um Avadhuta (asceta nu). Vendo-o, todo o mundo torna-se puro e mesmo uma pessoa iletrada que o sirva é libertada da escravidão. Ele (o asceta) permite que membros de sua família, por mil e uma gerações, cruzem o oceano de Samsara; e sua mãe, pai, mulher e filhos – todos são similarmente libertados. “Assim é o Upanishad”

Assim termina o quinto Brahmana.

Om! That (Brahman) is infinite, and this (universe) is infinite.The infinite proceeds from the infinite.(Then) taking the infinitude of the infinite (universe),It remains as the infinite (Brahman) alone. Om ! Let there be Peace in me !Let there be Peace in my environment !
Let there be Peace in the forces that act on me !

Om! Aquele (Brahman) é infinito, e este (universo) é infinito.
O infinito procede do infinito.
(Então) tomando a infinitude do infinito (universo), fica apenas como o infinito (Brahman) .
Om! Permita que haja Paz em mim!
Permita que haja Paz em meu meio!

Permita que haja Paz nas forças que atuam em mim!

Om Shanti ! Shanti ! Shanti !
Om Shanti ! Shanti ! Shanti !

Here ends the Mandala Brahmana Upanishad, as contained in the Shukla Paksha Yajur-Veda.

Aqui termina o Mandala Brahmana Upanishad, como contido no Shukla Paksha Yajur-Veda.